Que mania estúpida de achar que todo mundo merece. Teve um que não merecia porque acreditava piamente que eu não tinha sentimentos, achava que nada podia me destruir. Ele conhecia todo mundo e eu ficava babando pelo menino que acenava e cumprimentava 10 pessoas a cada 10 passos. Ele era tão popular. E eu que tava lá, do lado dele, de mãos dadas, cheia de pose. Eu era uma pirralha com a maior vontade de ser grande.
Ele dizia que me amava quando dobrava as pontas dos dedos da mão direita e passava no meu rosto. Ele cantava músicas bregas pra mim e ainda ficava me explicando tudo que queria dizer com a música. Ele devia achar que, além de insensível, eu era burra. Ele ficou com a melhor amiga, ele me trocou pela ex namorada, ele não fez nada direito.
Teve um outro que não merecia porque achava que era pedir demais pra um homem ter só uma mulher. Ele queria lutar contra o sistema e desenrolava um discurso totalmente sem pé nem cabeça pra me convencer a não tomar mais coca cola. Ele vivia chapado e nunca cortava o cabelo.
Teve outro que era até bem interessante, mas era muito baixo, muito tímido, muito sensível, muito afoito, muito tudo. E eu sempre tive uma queda pelo muito, mas sempre tive medo de exagerar. Ele me fez descobrir a sensação de chorar da meia noite às seis e viajar o dia inteiro no dia seguinte. Ele me fez descobrir que a melancolia me cansa, que a minha cara de choro me cansa, que chorar cansa, que tudo cansa, que ele cansa.
Teve aquele que foi o amor de verão. Que adorava Engenheiros e Pearl Jam, tocava guitarra numa banda, morava na praia e falava cantadinho. Esse não cansava, não irritava, não enjoava, não me subestimava, não me enganava. Falava sempre a verdade, ligava pra dizer que tinha gostado da noite anterior, olhava bem fundo nos olhos e anotava telefone no guardanapo no meio do bar. Ele gostava da minha barriga, elogiava meus olhos, olhava muito pro meu sorriso e me paralisava constamente. Ele morava em outra cidade e ninguém pode escolher diferente.
Teve aquele que foi o primeiro. Que queria que eu fosse inteligente e não me deixava comer hamburguer e milk shake de madrugada. Ele não me deixava fumar e não gostava muito das bebidas dos meus amigos. Ele tinha um carro importado pra passeio e um carro só pra ir trabalhar. Ele tinha um carro conversível e ria muito quando eu me deslumbrava e ficava gritando pra deixar o vento entrar na garganta e o cabelo quase sair da cabeça. Ele me chamava com uns nomes meio bregas, mas dizia que eu ia ser a mãe dos filhos dele. Eu tive que ir embora e ele ficou. Esperou durante um ano depois acabou esquecendo.
Teve o mais bonito, melhor amigo do meu irmão. Olhos verdes transparentes e um ciúme de doer. Não mereceu por muito tempo, ainda que tenha demorado pra descobrir. Não mereceu aquilo tudo.
Teve o que reclamava que eu era chata, que falava muito alto, fumava demais, bebia demais, falava demais, era demais. Demais pra ele que era pouco pra mim.
Depois desse teve o mais baixinho, que adorava cervejas e nunca ia embora enquanto eu não tinha um faniquito. Ele dizia que gostava mas acho que ainda não tinha aprendido namorar. Ele achava que era o melhor mentiroso da face da terra, deve ter acreditado que quanto menos se esconde uma mentira, menos alguém vai descobrir. Esquecia de apagar os rastros, esquecia de tudo e eu acabei esquecendo junto.
Teve tanto, representando tão pouco. Tanta superficialidade, tanta futilidade, tanta falta de vontade.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Ai ai
Peraí, não dorme ainda não. Eu to com uma formiga aqui no peito, eu preciso falar só mais um pouquinho. Já te contei dessa dor nas costas que eu não sei o que causa, não sei o que resolve? Deixa eu te contar do cara que passou por mim na rua e parecia um vampiro, igual ao do filme. Eu acho que eu ando vendo coisas. Eu acho que até os filmes tem o poder de me manipular. Eu sempre quis ser manipuladora, mas nunca consegui esse papel. Quando eu era pequena eu sempre conseguia os melhores papéis nos teatrinhos da escola. Eu me esforçava, era melhor que todo mundo, conseguia convencer qualquer um de que eu era a melhor pra qualquer coisa que eu quisesse fazer. Vivia ganhando prêmios, vivia me metendo a besta como desenhista, pintora, dançarina, organizadora de eventos e brincadeiras de beijo na boca atrás das cortinas da sala. Eu corria atrás de todas as bobeiras que pudessem me destacar e morria de orgulho de mim mesma quando as pessoas admiravam o que eu fazia. Eu tocava piano muitíssimo bem, já te contei? Uma vez eu toquei uma música super difícil, fiz até promessa pra não errar no dia da apresentação. Foi aí que eu aprendi como fazia uma promessa. Foi aí que eu aprendi a nunca mais fazer uma promessa porque eu não tenho força de vontade pra cumprir. Aliás, força de vontade é uma coisa que eu quase nunca tive, mas fui perdendo ainda mais com o passar do tempo.
Hoje eu preciso juntar todas as forças do universo pra conseguir me concentrar nas avaliações psicológicas da prova de amanhã.
Calma aí, não me aperta, deixa eu terminar de falar. O que eu tava dizendo mesmo?
Eu perdi a vontade de ser notada e não sei nem quando isso aconteceu. Perdi a vontade de ser a líder, acho que por preguiça. Perdi a vontade de dar minhas opiniões, as vezes eu só balanço a cabeça sorrindo enquanto penso "é, imbecil, você tá errado", mas cada um tem seus motivos pra acreditar no que quiser, e não sou eu que vou mudar essa idéia.
É preguiça. Pura preguiça de lutar, do esforço mental. Talvez eu esteja ficando burra.
Para, não bate na minha cabeça, eu sei o que você pensa, mas deixa eu concluir meu pensamento. Não fala nada.
Ainda tá formigando aqui, eu não sei sobre o que eu preciso falar pra isso passar.
A gente pode ficar em silencio agora e eu vou pensar um pouco mais sobre o que eu preciso te falar.
Você pode segurar minha mão enquanto isso? Eu vou fechar os olhos só um pouquinho pra ver se consigo concentrar aquelas forças todas do universo pra pensar...
Hoje eu preciso juntar todas as forças do universo pra conseguir me concentrar nas avaliações psicológicas da prova de amanhã.
Calma aí, não me aperta, deixa eu terminar de falar. O que eu tava dizendo mesmo?
Eu perdi a vontade de ser notada e não sei nem quando isso aconteceu. Perdi a vontade de ser a líder, acho que por preguiça. Perdi a vontade de dar minhas opiniões, as vezes eu só balanço a cabeça sorrindo enquanto penso "é, imbecil, você tá errado", mas cada um tem seus motivos pra acreditar no que quiser, e não sou eu que vou mudar essa idéia.
É preguiça. Pura preguiça de lutar, do esforço mental. Talvez eu esteja ficando burra.
Para, não bate na minha cabeça, eu sei o que você pensa, mas deixa eu concluir meu pensamento. Não fala nada.
Ainda tá formigando aqui, eu não sei sobre o que eu preciso falar pra isso passar.
A gente pode ficar em silencio agora e eu vou pensar um pouco mais sobre o que eu preciso te falar.
Você pode segurar minha mão enquanto isso? Eu vou fechar os olhos só um pouquinho pra ver se consigo concentrar aquelas forças todas do universo pra pensar...
terça-feira, 14 de abril de 2009
Eu quero levar uma vida moderninha
Ele podia ter sido uma noite e nada mais. Um casinho pra sair da rotina. Durante a semana, sem perder o happy hour de sexta, a mega festa de sábado, o parque de domingo. Ele tinha tudo pra ser armazenado na memória como um namorado em potencial que não preencheu alguns requisitos básicos pra entrar na disputa. É, nada pessoal, ele podia até ser bonitinho, mas melhor a gente não passar da primeira noite, assim fica a lembrança imaculada de um momento que a gente conseguiu não estragar com a superficialidade voraz dos sentimentos atuais. Ele podia, eu juro que ele podia. Ele preencheu os requisitos pra fazer esse tipo de papel na minha vida. Mas, por obra não sei de quem, e juro que um dia acerto minhas contas com ele, ele resolveu ser irresistível. Ou me hipnotizou, não sei ainda. Acontece que aquela voracidade dos sentimentos superficiais que eu tava treinando pra ser uma mulher bem resolvida e moderninha, desapareceu. Ao invés disso eu senti frio na barriga, senti as mãos suarem frio, senti o meu sangue dar umas voltas esquisitas pelas minhas veias. Podia ter me arrependido, mas ao inves disso, respirei fundo, contei até 10 e fingi que tava tudo sob controle. Mas que porra é essa de controle que eu insisto em querer ter e nem sei por onde começar. Que mania essa de achar que as coisas são controláveis e eu é que erro por não saber o que fazer. Não há controle mesmo quando o você perde as estribeiras com um beijo de tirar o fôlego, enquanto ele podia ser só mais um. Só mais um beijo bom no meio de tantas outras ofertas. No meio de tantos outros bons beijos em potencial. Não há controle mesmo quando você já bebeu mais do que o seu juízo te permitiu no começo da noite. Juízo. Meu pai vive me pedindo pra ter juízo, mas ele não se cria sozinho. Eu me bato pra ter que tomar minhas decisões sozinha. Alguém aí sabe onde vende uma boa dose de juízo, um pouco de controle e superficialidade? Porque eu ainda não aprendi a ser moderninha.
Porra de falta do que fazer!
Onde é que foi parar a minha inspiração? Cadê as frases catológicas, aqueles dramas baratos de novela mexicana? Cadê a minha falta de ar, a minha falta de sentido, o meu medo irremediável?
Tem dias que eu acho que tudo vai junto com aquele monte de coisas que eu gritei e chorei durante o banho. E foi assim mesmo que eu previ, lavar a alma, jogar tudo pra fora, deixar escorrer pelo ralo tudo. Tudo de bom ou de ruim, porque eu ainda não sei distiguir uma coisa da outra. Alguém podia inventar um radar pra que eu pudesse identificar essas coisas, saber quando devo e quando não devo, porque o radar que eu tenho aqui, o famoso sexto sentido feminino anda com defeito já faz bastante tempo. Deve ser por isso que eu ando meio zonza com tudo, sem saber exatamente se saio pela forta da frente ou pela porta de trás. Se ando um pouquinho mais e atravesso a rua na faixa de pedestres ou se corro por aqui mesmo, dando razão a algum motorista de não me enxergar e jogar um pouquinho de ping pong comigo.
Deve ser por isso que eu ando perdendo a fome, mas continuo enchendo a geladeira de comidas deliciosamente engordativas. Eu não aguento nem ovo de páscoa, nem batata frita. Eu ando num regime estúpido de cigarros e valetas reviradas. Nem sombra, nem água fresca. Eu ando num momento estranho de esturricar no sol e virar os olhos sem pressão.
Eu já nem sei mais qual o motivo que eu estou procurando por aqui. Ou ando procurando demais ou andam me escondendo qualquer coisa que me faça lembrar o que diabos eu vim fazer aqui. Com tanto lugar no mundo eu tinha que, justamente, dormir nessa cama, com gosto de buraco, com cheiro de vazio? Com tanto assunto no mundo eu tinha que, justamente, acabar o texto procurando sentido e concluindo que eu estou, cada vez mais, sem nenhum sentido?
Com tanta coisa pra fazer no mundo eu tinha, que justamente, ficar aqui me lamuriando, perdendo o tesão em ser assim?
Porra de falta do que fazer!!!
Tem dias que eu acho que tudo vai junto com aquele monte de coisas que eu gritei e chorei durante o banho. E foi assim mesmo que eu previ, lavar a alma, jogar tudo pra fora, deixar escorrer pelo ralo tudo. Tudo de bom ou de ruim, porque eu ainda não sei distiguir uma coisa da outra. Alguém podia inventar um radar pra que eu pudesse identificar essas coisas, saber quando devo e quando não devo, porque o radar que eu tenho aqui, o famoso sexto sentido feminino anda com defeito já faz bastante tempo. Deve ser por isso que eu ando meio zonza com tudo, sem saber exatamente se saio pela forta da frente ou pela porta de trás. Se ando um pouquinho mais e atravesso a rua na faixa de pedestres ou se corro por aqui mesmo, dando razão a algum motorista de não me enxergar e jogar um pouquinho de ping pong comigo.
Deve ser por isso que eu ando perdendo a fome, mas continuo enchendo a geladeira de comidas deliciosamente engordativas. Eu não aguento nem ovo de páscoa, nem batata frita. Eu ando num regime estúpido de cigarros e valetas reviradas. Nem sombra, nem água fresca. Eu ando num momento estranho de esturricar no sol e virar os olhos sem pressão.
Eu já nem sei mais qual o motivo que eu estou procurando por aqui. Ou ando procurando demais ou andam me escondendo qualquer coisa que me faça lembrar o que diabos eu vim fazer aqui. Com tanto lugar no mundo eu tinha que, justamente, dormir nessa cama, com gosto de buraco, com cheiro de vazio? Com tanto assunto no mundo eu tinha que, justamente, acabar o texto procurando sentido e concluindo que eu estou, cada vez mais, sem nenhum sentido?
Com tanta coisa pra fazer no mundo eu tinha, que justamente, ficar aqui me lamuriando, perdendo o tesão em ser assim?
Porra de falta do que fazer!!!
Sabe como???
Ele não sabe mesmo o que quer. Eu posso sinalizar? Posso mostrar que eu ando aqui por perto? Que to sempre por aí, um por aí sempre perto de você. Sempre tentando te mostrar que eu posso ser divertida, sexy, engraçada, delicada, o que for mais conveniente.
Você não entende. Eu não quero ocupar um espaço que não foi feito pra mim, eu sou um pouco mais alta, um pouco mais gorda, certamente não caberia. Eu quero um espaço feito sob medidas. Pra me encaixar perfeitamente, deliciosamente, incansavelmente. Eu tenho preguiça de todos os mentes, mas eles nunca pertenceram tão bem ao meu vocabulário. E eu vou continuar aqui, você sabe. Porque eu não tenho tesão nenhum em andar pelo caminho certo. Preciso não aguentar mais andar pelo caminho errado pra daí mudar de direção. Enquanto isso eu continuo indo por aí, um por aí bem perto do seu ouvido.
Você me parece tão homem quando veste sua pose de pretensão e tão menino quando passa o dia tentando me convencer que video game foi a invenção do século. Tão menino quando me pede dinheiro emprestado, quando chora no final do filme triste, quando não sabe o que fazer me liga no meio da madrugada. Tão homem quando me joga na parede e me faz sentir coisas que eu nem sabia que existiam. Quando me olha no fundo dos olhos pra falar do mundo como quem fala de um filho. Quando diz que se preocupa e controla minhas crises respiratórias. Quando me deixa falar por horas e horas o quanto Freud explica.
Nessas horas eu fujo um pouco pras margens e tento ver tudo de um outro ângulo. Saio de perto pra ver se tudo isso é tudo isso mesmo ou é só um pouco. E eu me convenço de que o céu faz tudo ficar infinito.
Eu paro pra pensar e eu choro um pouco de tristeza ou de felicidade, porque felicidade também me causa ansiedade.
Eu aprendi a não ter pressa. Virei expert em paciência spider e consigo dar um passo de cada vez, mesmo que, as vezes, eu precise dar um passo pra trás pra depois dar um pulinho pra frente. Mas aí eu preciso segurar a sua mão, senão eu posso cair.
E eu seguro porque permanecer nesse lugar já me faz feliz.
Eu que sempre quis ser inteira, me contendo sendo metade e aprendi que isso já é suficiente e faz o ar permanecer um pouco mais calmo dentro dos meus pulmões.
Ele não sabe mesmo o que quer.
Eu também não sei!
Você não entende. Eu não quero ocupar um espaço que não foi feito pra mim, eu sou um pouco mais alta, um pouco mais gorda, certamente não caberia. Eu quero um espaço feito sob medidas. Pra me encaixar perfeitamente, deliciosamente, incansavelmente. Eu tenho preguiça de todos os mentes, mas eles nunca pertenceram tão bem ao meu vocabulário. E eu vou continuar aqui, você sabe. Porque eu não tenho tesão nenhum em andar pelo caminho certo. Preciso não aguentar mais andar pelo caminho errado pra daí mudar de direção. Enquanto isso eu continuo indo por aí, um por aí bem perto do seu ouvido.
Você me parece tão homem quando veste sua pose de pretensão e tão menino quando passa o dia tentando me convencer que video game foi a invenção do século. Tão menino quando me pede dinheiro emprestado, quando chora no final do filme triste, quando não sabe o que fazer me liga no meio da madrugada. Tão homem quando me joga na parede e me faz sentir coisas que eu nem sabia que existiam. Quando me olha no fundo dos olhos pra falar do mundo como quem fala de um filho. Quando diz que se preocupa e controla minhas crises respiratórias. Quando me deixa falar por horas e horas o quanto Freud explica.
Nessas horas eu fujo um pouco pras margens e tento ver tudo de um outro ângulo. Saio de perto pra ver se tudo isso é tudo isso mesmo ou é só um pouco. E eu me convenço de que o céu faz tudo ficar infinito.
Eu paro pra pensar e eu choro um pouco de tristeza ou de felicidade, porque felicidade também me causa ansiedade.
Eu aprendi a não ter pressa. Virei expert em paciência spider e consigo dar um passo de cada vez, mesmo que, as vezes, eu precise dar um passo pra trás pra depois dar um pulinho pra frente. Mas aí eu preciso segurar a sua mão, senão eu posso cair.
E eu seguro porque permanecer nesse lugar já me faz feliz.
Eu que sempre quis ser inteira, me contendo sendo metade e aprendi que isso já é suficiente e faz o ar permanecer um pouco mais calmo dentro dos meus pulmões.
Ele não sabe mesmo o que quer.
Eu também não sei!
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