Você namora, casou, sei lá, com qualquer menina que não tem cara de louca. E essa é a minha vingança, porque eu sei que você é mais feliz sem loucura, mas a felicidade e a normalidade não existem. Eu ainda acho que a gente tinha alguma verdade que faz você, nem que seja a cada 100 anos, arranhar uma música velha em meu luto. Um luto cheio de vida.
Vez ou outra chegam aqueles emails que a gente manda sem nem saber pra quem, com frases quase íntimas envoltas pela maior frieza do mundo. É como se a cada letra você reafirmasse que somos amigos cheios daquela inteligência de camaradas descolados e bem resolvidos que, como tudo na vida que ainda respira e tem cor, seguiram em frente.
Sim, somos isso mesmo, claro. Mas eu quero que se foda tudo isso e fico com o seu abraço naquele fim de festa estranho em que você voltou só pra me tirar do meu sofrimento e, para a minha surpresa, me fez matar a saudade do meu mundo.
Eu fico com as danças que sem nenhum medo das críticas eu improvisei para o nosso espaço no universo. Dancei como uma bailarina que volta a funcionar milagrosamente, e pela última vez, numa caixinha de música quebrada.
Eu fico para sempre com o que você plantou em mim.
Você está bem onde está, eu estou bem onde estou. Mas, um dia desses eu vou passar indo com meu novo amor e cruzar você vindo com seu novo amor e não vai ter como a gente não olhar pra trás.