"Não consigo afogar as mágoas, as minhas usam boias".
A gente percebeu que toda mulher tá procurando por coisas que não existem. Uma fica feliz porque o cara deu um sinal de vida e falou meia dúzia de coisas desinteressantes. Todo contato masculino gera uma interpretação feminina. A outra fica feliz porque já faz um ano e ele vive dizendo que um dia vai se casar com ela. Mas ela já tá passando da idade e até as criancinhas já a chamam de tia. Uma dança despretensiosamente, olha pra todos os caras, flerta com a maioria, sorri pro mundo, finge que tá completa, mas, de 10 em 10 minutos, checa o celular pra ver se, por um acaso, não tem uma ligação perdida pra ser retornada.
Sábado a tarde e eu não tive coragem de abrir as janelas e nem tirar o pijama. Eu só penso no mundo e enxergo uma grande quantidade de pessimismo vindo de todos os lados. Sinto um frio na barriga e nem sei o que pode acontecer de bom ou ruim pra movimentar esse marasmo.
No filminho todo mundou ficou feliz e eu invejei muito todas as mulheres mal resolvidas com seus respectivos namorados mal resolvidos. Desejei muito que algum dia, alguém tire proveito de tanta falta de jeito, de tanto medo, insegurança.
Eu vivo tentando entender o mundo, mas compreendo que o mundo não consegue me entender. Talvez uns 20% de um dia bem claro.
Eu vivo matando seus pedaços por aqui. Vivo lembrando do seu passado, num ritual masoquista, pra ver se levo um tapa na cara e cumpro as promessas que eu faço todas as noites.
A ressaca de hoje é reflexo da tentativa inesperada de afogar as mágoas com boias. O beijo no final da noite é reflexo da tentativa esperada de desejar uma boca que não a sua. Eu não lembrei do gosto da sua boca e talvez isso seja um ótimo sinal. Logo logo eu consigo dar mais um passo e desejar outra vida, outra saída.
Eu ando por aí querendo te encontrar, mas desvio de todos os seus caminhos. Eu te vejo de longe e torço pra você não me ver com o rosto vermelho e o cabelo despenteado, mas queria que você admirasse a minha independência, a minha maturidade, a minha força e a minha coragem. Eu quero te mostrar que posso me divertir sem você, mas você nunca quer parar pra ver. Eu ocupo um espaço tão escondido na sua vida que acho que até você esquece onde me guarda. E eu vivo tentando com que você note que eu to sempre aqui, mesmo sabendo que você já deve ter cansado da rotina que eu criei arrumando sua cama, reclamando do computador, derrubando cinzas de cigarro por todos os lugares.
Não, eu não to me culpando, eu já passei dessa fase lá perto dos 17 anos. Quando eu tive o namoro mais rápido da história, rompido pela traição mais sem pé nem cabeça, vivido sem nem saber por quê.
Não. Eu não culpo você também. Afinal, amor não se implora.
E eu nem quero mais o casamento na grama, os convidados bebados, os noivos contando histórias das aventuras até então. Eu não quero mais você como narrador da minha história, até porque quem conta as histórias aqui sou eu. Enquanto você ouve e nem troca os detalhes que eu gosto de inventar pra deixar tudo mais dramático e emocionante.
Talvez um dia você perceba.
E quem fez o filminho também perceba que a inveja que eu sinto não destrói qualquer final feliz. Mesmo que o final feliz seja seguir em frente, juntar os caquinhos que ainda sobraram no chão, começar de novo, não perder as esperanças, não deixar de ser feliz, seja lá qual o motivo pra isso.
sábado, 9 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Praia, sol, verão, pai e mãe
E ainda tem gente que diz que os dias são TODOS iguais. Eu consigo ver os mínimos detalhes mudados de ontem pra hoje. Ontem eu era calor derretendo a pele, hoje sou calor queimando o peito. Ontem eu era dúvida e preocupação, hoje eu fui carinho e atenção. Ontem, o medo arrepiou meus braços, hoje a calmaria me fez agradecer a Deus por estar viva. Eu sinto um frio na barriga típico dessa época do ano, como se tivesse 10 anos de idade e tivesse entrado de férias ontem. Ansiando a dúvida do presente de natal, desejando aqueles dias lindos na praia, a prancha de isopor que machucava a barriga, a sensação de sentir frio, no meio do calor e dormir no mesmo quarto que meus pais pra ficar todo mundo geladinho com o ar condicionado. Eu consigo sentir a mesma coisa se me concentrar, quando eu queria ser grande pra sair e encher a cara ou dormir longe dos meus pais. Mas no fundo, a parte mais divertida era assistir o programa do Jô com o meu pai e dormir com a luz azul da televisão. Eu adoro a luz azul, me da um pouquinho desse gostinho que eu adorava sentir. Não tem abajur que produza o mesmo efeito da claridade pacífica de uma televisão. Hoje eu sinto um frio na barriga maior ainda, porque, pela primeira vez, não vou contar com o ar condicionado geladinho e o ronco do meu pai. Nem com o dinheiro fácil do sorvete no fim da tarde. Crescer dói, eu sempre soube, mas crescer por opção dói mais ainda. Ainda que eu saiba que ninguém vai conseguir compreender o que isso realmente significa pra mim, mais uma noite com brigadeiro e Friends!
NADA
O relógio toca as 6. A preparação psicológica começa logo cedo. Tenho 45 minutos pra pular da cama. Dá tempo de dar uma sonhadinha, de pensar em qual roupa colocar, de imaginar uma boa desculpa pra mim mesma, pra não precisar sair da cama o dia inteiro. O que seria mais convincente? Eu sou fraca mesmo, não tenho força de vontade, devo estar passando por algum momento difícil psicologicamente, algum disturbio causado pelo estresse emocional dos últimos meses. Algum desgaste mental. Eu sofro de cólicas menstruais terríveis. O mundo não precisa saber que esse mês já passei por isso me saí super bem com buscopan e bolsas de água quente. Eu to com tosse, deve ser uma doença grave, já faz mais de um mês que não passa. O mundo também não precisa saber que eu conheço a causa de perto.
Eu não preciso de desculpa nenhuma. Eu me rendo ao sono tranquilo e pacífico da manhã. Escuto os carros buzinando lá em baixo, as janelas abrindo correndo, as escovas de dente batendo na pia, os portões de garagens abrindo... e eu aqui, jogada na cama, torcendo pra continuar fazendo frio até, no minimo as 10 da manhã.
Eu me rendo ao prazer do nada.
Eu não preciso de desculpa nenhuma. Eu me rendo ao sono tranquilo e pacífico da manhã. Escuto os carros buzinando lá em baixo, as janelas abrindo correndo, as escovas de dente batendo na pia, os portões de garagens abrindo... e eu aqui, jogada na cama, torcendo pra continuar fazendo frio até, no minimo as 10 da manhã.
Eu me rendo ao prazer do nada.
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