segunda-feira, 26 de abril de 2010

Na mesa de centro da sala

Estou aqui, exatamente onde nos vimos pela última vez. No meio das nossas bagunças, conversas, sonhos, risadas. Uma roupa e outra jogadas em cima do sofá azul. O sofá azul que eu tanto quis caber, mas que sempre foi pequeno demais pra mim. O sofá azul que me fez tentar todas as formas pra emagrecer só pra sentir o gosto de pertencer ao nosso canto. Estirada no chão com os braços tocando a mesa que nos apoiamos tantas vezes. Lembrando do sexo que fizemos ser interminável por longos meses.

O apoio exato das tuas mãos nos meus ombros e da tua boca na minha nuca. Tua respiração falha, o som mais lindo do mundo. Eu aqui tossindo todas as fumaças que deixamos em volta, fechando os olhos pra não ver as marcas nas paredes amarelas. Questionando todo o teu gosto para as cores mais bregas que eu já vi na vida.

Do brega me salta aos olhos os livros pelas metades, as músicas tocando sem parar, tentando achar a outra parte em algum lugar daqui. Teu barulho abrindo a porta, eu mudando o canal da tv, mordendo os lábios e entrelaçando minhas pernas no teu corpo. Os beijos na tua orelha, teus arrepios nas costas, meus risos nervosos e nós dois caindo no sofá azul.

O sofá azul que eu nunca quis e, por isso nunca foi meu. O sofá azul no exato ângulo que te permitia me ver saindo do banho e te vendo sempre mais azul, sempre mais sofá, sempre mais parede, sempre mais você. Agora eu cuspo em tudo que foi e suspiro por tudo que ainda é, esperando o que pode ser e o que você mandou fazer. Gritando alto contra tudo e contra todos que me fizeram sentir tanto frio meses atrás.

Eu aqui no meio da nossa bagunça. Onde trabalhamos, lemos, brigamos, rimos, madrugadas em claro, nos consolando, comemorando. Você me instiga, me cutuca, me acorda. Desperta todas as minhas frustrações, sonhos, inquietações. E é por isso que me irrita tanto. E é por isso que eu te amo tanto. Porque seus olhos... seus olhos são cheios de porcaria, mas, ainda assim eu vejo vida, vejo paixão. Porque seu sofá azul não me deixa dormir e me faz querer pular a janela estrategicamente posicionada. E é por isso que eu me livrei de você. Agora sem sofá azul, sem você azul, sem noite azul.

Eu te amo, menino.

Alice.

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