quarta-feira, 17 de junho de 2009

Nada mais

Então você me diz, é tudo isso mesmo? É assim que é? Eu contrario calada pra não perder as feições de certeza do seu rosto inquieto. Apoiando o queixo em uma das mãos, eu vago longe, mais perto do que deveria estar. Os pés denunciam qualquer motivo, meio sem explicação. Eu digo sem pensar que acho que tudo isso é uma grande bobagem, apesar do drama, eu gosto mesmo é simplicidade. Enquanto eu digavo sobre o nada, você conforta suas esperanças no meu peito. No momento eu consigo lembrar daquela paixão antiga que me fazia duvidar do mundo e questionar todos os princípios da humanidade. Eu não quero ser completa, consegue entender?
Eu quero ter o milk shake na madrugada e passar o resto da noite revirando os olhos de tensão. É que ainda morro muito pra viver mais um dia.
Você não percebe que as esquinas podem ser todas iguais e quem faz a diferença é quem passa por elas? Eu passo por aqui, você passa por aí, e, quem sabe, a gente se encontre no meio do caminho. Assim, sem pretensões pra uma pessoa do meu tamanho.
Assim, cheio de intenções. Segundas, terceiras. São multiplas as formas e os tamanhos. E você entenda como bem entender.
Não. Não faça essa cara de desentendido. Você sabe bem o que eu quero dizer, me deixa terminar de falar. Eu to com as formigas no peito dando saltos mortais.
Eu quero e eu preciso dizer... nada mais!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Enquanto aqui...

Sem crise, sem dramas.
A minha cama é grande demais pra ocupar espaço com tanta falta do que fazer.
Um cigarro é pequeno demais pra suprir o vício que estaciona tão perto.
Não existe o que faça mais efeito do que o simples desejo de ser.
Aqui não cabe a escolha de ser ou de não ser.
O simples se faz assim... simplesmente.
Não há escolhas, não há saídas.
Enquanto eu fecho os olhos e abro o peito.
Inebriando com o teu cheiro que não há de sair daqui.
Conversinhas moles ao pé do ouvido e o ar se esvaindo aos poucos.
Quem disse que eu preciso de tempo?
Quem disse que eu preciso de espaço?
Dois dedos, pouco gelo e mais um cigarro.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Aprendi...

Eu aprendi que viajar sentada tentando deitar dá dor nas costas. Aprendi que misturar coisas demais na noite de Natal pode causar desmaios. Aprendi que perder a fome por ansiedade faz minha imunidade ir por água abaixo e isso faz aparecerem coisas que dormiram por bastante tempo.

Eu também aprendi que calda de abacaxi no tender fica muito ruim, o que eu já suspeitava, e que cerveja é muito saborosa, o que eu já sabia.

Tirando todos esses importantíssimos aprendizados, eu aprendi que aprender é bem interessante e que nunca é tarde, por mais que as vezes pareça que o tempo estaciona pra que a vida te castigue. Quase me perdi. Mas é basicamente isso. Aprender, por bem ou por mal. Normalmente eu aprendo na marra. Por falta de condições de insistir no caminho errado, eu resolvo tentar pelo outro lado. Teimosia deve ser um pecado grave, os castigos piores ainda.

Eu aprendi que quando eu fico triste, mais gente também fica. Que o meu sorriso pode ser a razão da satisfação de alguém que ta sempre do meu lado. Aprendi que quando eu quero sofrer, o mundo não para pra que eu tenha meus chiliques. Minha mãe continua me amando e tentando manter o bom humor em dia só pra me animar. Meu pai continua trabalhando, só pra poder suprir meu vicio consumista. Talvez as coisas mudem de lugar, as pessoas mudem, viagem, mas a essência das nossas vidas continua a mesma.

Eu aprendi que tentar ser cruel me torna ainda mais egoísta e, absurdamente, isso me faz vencer com êxito a minha intenção de ser ruim com o mundo. Mas o projeto inicial era atingir só uma pequena parte da população. E tudo isso me faz ser ainda mais frágil.

Eu aprendi que tentar parecer é o mais próximo de não ser. Que tentar ficar em silêncio me faz produzir todos os sons, e que, tentar chamar a atenção me faz esquecer como se fala. Eu aprendi que pai e mãe vieram ao mundo pra me impedir de por os dedos na tomada, ou experimentar detergente pra saber se arroto bolhinhas, pra impedir que cometamos os erros que eles já cometeram. E amigos vieram ao mundo pra nos ver prestes a errar exatamente como eles, mas deixam pra aprendermos com nossas próprias quedas.

Aprendi que as derrotas também são triunfantes e valem à pena serem lembradas, assim como os tombos memoráveis nos lugares mais públicos. Assim como aquele frio na barriga depois de dizer o que queria e o medo que vem antes de ouvir a resposta. Assim como as brigas de começo de namoro, pra ver que namorar é um aprendizado sobre o sexo oposto compactado em apostilas bem detalhadas, algumas até com comentários e recomendações. Aprendi que eu odeio muito mais quando não consigo, simplesmente, odiar, porque seria a opção mais fácil, de atitudes mais cruéis e menos dolorosas. E tentar odiar é o mais próximo de descobrir que seu coração ainda guarda compaixão.

Aprendi que é possível ser amiga das pessoas mais improváveis e que aquele velho ditado super clichê tem seu sentido quando diz que as pessoas que você menos espera, são as que vão te estender a mão. Aprendi que as pessoas não são ruins, basta que você descubra todos os pontos em comum... E os esqueça! A porta pode ser super dura, então não vale a pena descontar a raiva num soco no meio dela. Os prejuízos doem quando devem ser pagos com seu próprio dinheiro. Travesseiros são boas opções. Aprendi que Friends é um ótimo remédio pra insônia e que, enquanto procuro meu sono pelo quarto, milhares de pessoas ocupam sua inutilidade com coisas úteis. Descobri que livros também são boas opções. Aliás, aprendi que livros são a salvação da humanidade. E eu sei que tem quem concorde comigo, mesmo que não entenda exatamente o que eu quis dizer.

Eu aprendi que não importa o quanto eu faça cara de coitada e o quanto eu me rasteje aos pés do descaso alheio, as coisas, simplesmente, não mudam. Não mudam porque não era pra mudar e, abusando do clichê, aprendi que “o que for pra ser, será”.

Eu me perdi em meio a tantos pensamentos, que aprendi que pensar demais também não é tão necessário e não me faz solucionar todas as coisas. Não é essa a chave do problema, ainda que não houvesse problemas.

Não interessa pra ninguém se eu tenho uma espinha dolorida no nariz, alguém, no exato dia em que ela nasceu, vai me dar um soco e me fazer ver estrelas. E se eu tiver com os ombros queimados de sol, algum infeliz vai me dar tapinhas e o mundo vai me fazer carregar mochilas pesadíssimas. E no fim, quem vai cuidar da minha dor sou eu. Mas com tudo isso também aprendi que ter alguém pra passar hidratante nos ombros é importante, mas é melhor ainda se eu conseguir alcançá-los sozinha. O que eu quero dizer é que é muito bom ter alguém por perto disposto a fazer a sua dor diminuir, mas é melhor ainda se você souber como amenizá-la sozinho, pois nem sempre haverá alguém disposto a sujar os dedos com hidratante grudento.

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