Entre muito e pouco eu acabei encontrando você. Entre muita falta de jeito e pouca paciência. Muita ansiedade e pouca experiência. Muita vontade e poucas atitudes. Entre escrever e não saber o que dizer, eu acabei sentindo o que eu jamais vou saber como explicar. Onde nunca a frase fez tanto sentido, onde eu nunca encontrei a calmaria que até duvidava que existia. Foi aí que você apareceu. Com toda a sua pose, sorrindo de lado, baixando os olhos e me entregando os pontos. Metade dos pontos, porque o resto nós havemos de encontrar juntos. Você falando baixinho no meu ouvido e eu gritando no ouvido do mundo. Você dobrando as esquinas e eu dobrando seus planos. Eu sujando meu chão com esperas descabidas e você lavando tudo com amaciante de ursinho. E aí meu mundo inteiro se enche de coraçõezinhos com seu nome dentro, parece que eu estudo no primário de novo. E até isso você conseguiu, apaziguar a vontade de envelhecer sem perceber.Você é uma espécie nova ainda sem classificação.
Enquanto eu fico tentando achar defeitos, você acha meus pés gelados em baixo do cobertor e respira fundo perto da minha nuca. E eu que achava que só eu encontrava esses lugares em você. E aí vem você, sempre encontrando os meus lugares. Os meus lugares que eu nem sabia que existiam, despertando sensações que eu nunca conheci. E aí o mundo inteiro se enche de amor. E eu fico brega demais, e a gente fica brega demais. É risada ao pé do ouvido, sopros pra dar arrepios, sussurros pra esquentar a alma e mãos quentes pra me esquentarem gelada.
É coraçãozinho com a mão, declaração de amor em plena página social, sorriso de apaixonada no meio da rua. Seguir os passos por aí, pular e nem perceber, encontrar e nem procurar. Mas eu sou mesmo muito brega. Quero que todo mundo seja feliz, que todos os casais se amem, que todas as mulheres procurem vestidos de noiva e todos os meninos casem com as suas paixões da adolescência. Quero que nasçam todos os bebês do mundo, que todos sejam bonitos e as mães sempre gostosas. Quero que as árvores tenham coraçõezinhos desenhados, que as núvens tenham formato de filhotinhos, que as calçadas todas sejam lavadas com amaciante cheiroso de comercial de tevê.
Eu sei que às vezes eu tenho estragar tudo e flutuar alto demais, pesada demais. Que às vezes eu peso no tom, peso na mão, ajo sem ter a menor razão. Mas é só porque é você quem resgata o meu balão pela cordinha antes de ficar inalcançável e amarra de novo no seu pulso pra não ter perigo de eu tentar sair voando de novo. É só porque você me ensina que paciência é mais do que o joguinho de celular que eu uso pra insônia.
E é só porque você é o melhor remédio pra insônia, tpm, crise existencial ou medo de escuro.