Ontem o dia corria calmo e tranquilo, até que eu me dei um horário pra sair de casa. Às 8 eu to saindo, nem um minuto a mais, nem um minuto a menos. Quero 8 horas. Deu tempo de ver uns pedacinhos da novela da 6. Deu tempo de morrer de preguiça, entregar todas as minhas celulas pra minha cama, dar umas duas roladas, rir sozinha e notar que o peito direito é levemente maior que o esquerdo. Levanto da cama como uma lesma se arrastando, venho puxando cada osso, cada centímetro que ainda vive pra secar o cabelo e fazer lá uma maquiagem simples e rápida.
De frente pro espelho constato que peitos com quase 22 anos já sofrem com a gravidade. Eu ia ficar bem de franja, olha que engraçado. Umas quatro caretas, umas duas caras de choro pra ver qual convence mais da minha tristeza, umas duas gargalhadas que eu venho ensaiando pra abandonar aquela alta, escandalosa que não me deixa ser imperceptível.
O tempo correu tranquilo. Até que já são 5 pras 8. Mas eu to pronta. Peraí, eu to saindo de casa agora. Só falta escolher um brinco, um sapato, decidir se vou mesmo com essa blusa ou não e fazer lá uma maquiagem simples e rápida. 2 minutos.
E o tempo me atropela e eu ainda fico indignada porque não é possível um ser humano ser tão lento pra ter o toque de despertar. Eu quase desisto de ir, porque correr não é meu forte. Eu caio três vezes enquanto experimento os sapatos, começo a suar, passo a mão no cabelo que já gruda na testa e perde todo o charme.
O brinco cai no chão e eu piso em cima, ele quebra. Era justo esse que mais combinava comigo hoje. O valor sentimental foi com ele pra cestinha de lixo. Eu fico triste, ensaio duas ou três caras de abandono, me olho no espelho uma última vez pra ver se os dentes estão limpos e... hey ho let´s go!!!
Esqueci o desodorante, esqueci o casaco preto, não peguei a chave de casa e o celular vai ficar sem bateria.
E a noite corre tranquila!
sábado, 25 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Último capítulo
Ontem encontrei amigos antigos. Conversa informal, me perguntaram porque não respondo mais emails, porque não atendo mais o telefone. Gargalhei alto e mudei de assunto. O medo de dizer uma verdade duvidável ou uma mentira sincera. Tenho certeza que não vou rir disso tudo num futuro distante. Procurei encaixar a cabeça no travesseiro e não deixar que as sombras da minha insegurança engolissem meu sono. Dois ou três comprimidos partidos numa colher de sopa, efeito quase imediato. Demora mas passa. As 5 horas da manhã minha cama já não é o lugar mais seguro do mundo. É aqui que a solidão mora e me convida pra tomar um café. Não que eu goste de café, mas a proposta é tentadora e talvez eu não consiga mais sair daqui. Deve haver algum tipo de tesão em permanecer parado, em não dar um passo à frente. Deve haver algum tipo de explicação cabível pra tanta falta de força de vontade. Deve haver alguma cama no mundo que não me atormente durante o sono.Parada aqui, mas olhando, através dos olhos de quem partiu, pra alguém que ficou... Não seguiu as suas próprias regras, não ouviu os próprios conselhos. Quanto desencontro ainda haverá nessa nossa vida?Quanta lágrima ainda há de cair até que a gente cresça. Até que alguém aprenda meu nome, até que não gritem mais em vão. Até que alguém me diga o que é que eu to fazendo aqui. A vida é um mapa de palavras, um quebra cabeça. Gritam teu nome e o resto eu optei por não ouvir. Li as páginas da tua vida com tanto entusiasmo que algumas partes parecem ser minhas. Só que agora eu leio de trás pra frente, com a ansiedade de quem espera um vôo atrasado. Leio com a angústia dos meus dias que quase me faz apagar umas páginas sem ler.Eu te ofereço abrigo e carinhos pras feridas com as quais a vida te presenteou. Confesso que eu mesma ainda estou me recuperando de tudo, mas isso não é empecilho. Também posso cuidar de você.Lembra quando este caos era só uma possibilidade, e a insegurança era só uma fraca sombra? Hoje eles têm peso, substancia e malicia. Agora estamos longe de onde gostaríamos de estar embora aqui seja um lugar quase tranqüilo, quase livre, quase romântico... Tantas mudanças e eu continuo aqui olhando para nada. Que mal há em acertar as contas com a vida?
terça-feira, 21 de abril de 2009
À você
Você aparece como quem não quer nada e tira a estabilidade do meu momento. A estabilidade que eu achava que tinha, aquela com nome, sobrenome e data de chegada. Você chega como quem não quer nada, querendo tudo e me convence com a maior simplicidade de que a vida é mesmo uma "parada" muito simples, "tá ligada?". Eu to ligada, eu aprendi a deixar o futuro pra Ana de amanhã pensar, eu aprendi a não esquentar a cabeça e usar todos os meus argumentos pra te convencer de que tudo tem um propósito pra acontecer. E eu tentava de tudo quanto era jeito, não deixar você perceber que eu não tinha todo esse controle da vida.
Você só queria se esquentar, essa cidade é muito fria. Eu só queria me jogar de cabeça, essa cidade é muito grande.
Não sei se foi suficiente, se foi convicente, mas foi. E continuamos indo. Sem lenço, sem documento, pela areia da praia, pelo reflexo da noite no mar, pelas sombras do passado correndo ao nosso lado, pelo medo do futuro batendo na porta de meia em meia hora.
Passou. Respira fundo, eu sei que eu tenho medo de escuro, mas você tá aqui. Eu sei que eu quase morro sem ar as vezes, mas você tá aqui. Eu sei que eu quase esqueço, mas você tá aqui.
Ainda que você não tente mais me convencer de que a vida é simples. Ainda que a gente sinta mais medo, mais cansaço. Até parece que envelhecemos 10 anos. Até parece que o tempo passou mais rápido na verdade.
Aprendizado e crescimento compactados em um curso intensivo de férias. A gente aprendeu!
Aprendeu que não adianta deixar pro futuro, vez ou outra a gente tem que pensar. Mas aprendeu que não adianta também esquentar a cabeça agora, sendo que o pensamento vai ser inevitável qualquer hora. Não precisa agora, não. A gente pode apoiar a cabeça aqui e esperar o dia amanhecer, quem sabe a solução caia pela janela.
E caiu. Veio sombra e água fresca, piscina e música alta. Veio ar condicionado e cama de casal. Frio na barriga e ilha da magia. Veio serenidade, tranquilidade, suavidade.
Você apareceu com a sua cara de galã tímido de filme americano. Homem feito cheio de segurança, menino carente cheio de medo. Você me fez andar nas núvens, garoto.
E há quanto tempo eu não sabia o que era andar assim.
Você apareceu sem que eu pudesse me armar com todos os clichês, acalmou toda a minha espera, me ensinou, na marra, a ter paciência. Eu aprendi a respirar fundo e achar vida lá no fundo dos pulmões. A fazer o ar percorrer todos os pedacinhos e tirar aquela sensação de vazio profundo que tanto me atormentava.
Você lavou meu corpo, meu cabelo, minha alma. Deixou ir embora tudo era cinza. Você lavou minhas sarjetas com amaciante. E tudo não passou de uma reviravolta sem vinda, sem volta.
Eu não voltei, você voltou. A gente se perdeu um pouco no caminho, mas o caminho trilha pro mesmo lado, consegue ver?
Eu me dedico à você, sombra e luz.
Você só queria se esquentar, essa cidade é muito fria. Eu só queria me jogar de cabeça, essa cidade é muito grande.
Não sei se foi suficiente, se foi convicente, mas foi. E continuamos indo. Sem lenço, sem documento, pela areia da praia, pelo reflexo da noite no mar, pelas sombras do passado correndo ao nosso lado, pelo medo do futuro batendo na porta de meia em meia hora.
Passou. Respira fundo, eu sei que eu tenho medo de escuro, mas você tá aqui. Eu sei que eu quase morro sem ar as vezes, mas você tá aqui. Eu sei que eu quase esqueço, mas você tá aqui.
Ainda que você não tente mais me convencer de que a vida é simples. Ainda que a gente sinta mais medo, mais cansaço. Até parece que envelhecemos 10 anos. Até parece que o tempo passou mais rápido na verdade.
Aprendizado e crescimento compactados em um curso intensivo de férias. A gente aprendeu!
Aprendeu que não adianta deixar pro futuro, vez ou outra a gente tem que pensar. Mas aprendeu que não adianta também esquentar a cabeça agora, sendo que o pensamento vai ser inevitável qualquer hora. Não precisa agora, não. A gente pode apoiar a cabeça aqui e esperar o dia amanhecer, quem sabe a solução caia pela janela.
E caiu. Veio sombra e água fresca, piscina e música alta. Veio ar condicionado e cama de casal. Frio na barriga e ilha da magia. Veio serenidade, tranquilidade, suavidade.
Você apareceu com a sua cara de galã tímido de filme americano. Homem feito cheio de segurança, menino carente cheio de medo. Você me fez andar nas núvens, garoto.
E há quanto tempo eu não sabia o que era andar assim.
Você apareceu sem que eu pudesse me armar com todos os clichês, acalmou toda a minha espera, me ensinou, na marra, a ter paciência. Eu aprendi a respirar fundo e achar vida lá no fundo dos pulmões. A fazer o ar percorrer todos os pedacinhos e tirar aquela sensação de vazio profundo que tanto me atormentava.
Você lavou meu corpo, meu cabelo, minha alma. Deixou ir embora tudo era cinza. Você lavou minhas sarjetas com amaciante. E tudo não passou de uma reviravolta sem vinda, sem volta.
Eu não voltei, você voltou. A gente se perdeu um pouco no caminho, mas o caminho trilha pro mesmo lado, consegue ver?
Eu me dedico à você, sombra e luz.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Feliz?
Eu sou feliz. Você duvida? Eu ando rindo um pouco alto por aí, tenho descontrolado o volume, o tom da voz, mas não tenho mais arranhado aquela voz de choro ao telefone, aquele medo de não ser inteira. Eu descobri que ser metade já ser muito. E se eu não passar disso, vou ser feliz pela metade e bem satisfeita. Melhor do que ser feliz inteira e morrer, em pouco tempo, corroída pela ansiedade destrutiva que isso me causa.
Eu sou feliz sem culpa porque ninguém é culpado por isso e ninguém depende da minha felicidade pra ser feliz. Eu sou feliz sem atingir ninguém, sem machucar o mundo. Consigo ser feliz ainda que a maioria ande triste por aí. Consigo desfilar sorrisos enquanto a maioria segue chorando por aí.
É que eu cansei de chorar e descobri que não posso começar. Não consigo dar só uma choradinha pra relaxar, pra lavar a alma. É como a bebida pra um alcoolatra, não pode dar o primeiro gole. As consquencias são catastróficas e ninguém consegue mais controlar.
A felicidade não funciona assim. Ela vem só pra te lembrar que a vida pode ser boa também. Vem pra dar te dar uma trégua bem no meio do teu sofrimento. Você tá lá querendo pular pela janela, quando sente o vento batendo forte no seu rosto. Quando olha pro lado e vê todo mundo rindo e ninguém tem mais que você pra se sentir assim. Todo mundo sofre, todo mundo chora, todo mundo quer mudar de vida, e, ainda assim, todo mundo ri, todo mundo pula, todo mundo se sente feliz, vez ou outra.
A felicidade vem pra te animar. Pra te impedir que você pule pela janela. E ela não te traz aquilo tudo que você queria, não faz o telefone tocar, a porta bater, não traz flores, não traz floripa, não traz amor. Ela traz paz no coração, tranquilidade, serenidade. Ela faz você desejar que bebês nasçam, que árvores nasçam, que crianças brinquem, casais se amem, pais e filhos façam as pazes. Faz você enxergar tudo um pouco mais claro, um pouco mais simples.
É como dizem, a tristeza dá e passa. É só esperar o tempo certo que as coisas mudam sem que você tenha se jogado pela janela!
Eu sou feliz sem culpa porque ninguém é culpado por isso e ninguém depende da minha felicidade pra ser feliz. Eu sou feliz sem atingir ninguém, sem machucar o mundo. Consigo ser feliz ainda que a maioria ande triste por aí. Consigo desfilar sorrisos enquanto a maioria segue chorando por aí.
É que eu cansei de chorar e descobri que não posso começar. Não consigo dar só uma choradinha pra relaxar, pra lavar a alma. É como a bebida pra um alcoolatra, não pode dar o primeiro gole. As consquencias são catastróficas e ninguém consegue mais controlar.
A felicidade não funciona assim. Ela vem só pra te lembrar que a vida pode ser boa também. Vem pra dar te dar uma trégua bem no meio do teu sofrimento. Você tá lá querendo pular pela janela, quando sente o vento batendo forte no seu rosto. Quando olha pro lado e vê todo mundo rindo e ninguém tem mais que você pra se sentir assim. Todo mundo sofre, todo mundo chora, todo mundo quer mudar de vida, e, ainda assim, todo mundo ri, todo mundo pula, todo mundo se sente feliz, vez ou outra.
A felicidade vem pra te animar. Pra te impedir que você pule pela janela. E ela não te traz aquilo tudo que você queria, não faz o telefone tocar, a porta bater, não traz flores, não traz floripa, não traz amor. Ela traz paz no coração, tranquilidade, serenidade. Ela faz você desejar que bebês nasçam, que árvores nasçam, que crianças brinquem, casais se amem, pais e filhos façam as pazes. Faz você enxergar tudo um pouco mais claro, um pouco mais simples.
É como dizem, a tristeza dá e passa. É só esperar o tempo certo que as coisas mudam sem que você tenha se jogado pela janela!
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