quarta-feira, 22 de abril de 2009

Último capítulo

Ontem encontrei amigos antigos. Conversa informal, me perguntaram porque não respondo mais emails, porque não atendo mais o telefone. Gargalhei alto e mudei de assunto. O medo de dizer uma verdade duvidável ou uma mentira sincera. Tenho certeza que não vou rir disso tudo num futuro distante. Procurei encaixar a cabeça no travesseiro e não deixar que as sombras da minha insegurança engolissem meu sono. Dois ou três comprimidos partidos numa colher de sopa, efeito quase imediato. Demora mas passa. As 5 horas da manhã minha cama já não é o lugar mais seguro do mundo. É aqui que a solidão mora e me convida pra tomar um café. Não que eu goste de café, mas a proposta é tentadora e talvez eu não consiga mais sair daqui. Deve haver algum tipo de tesão em permanecer parado, em não dar um passo à frente. Deve haver algum tipo de explicação cabível pra tanta falta de força de vontade. Deve haver alguma cama no mundo que não me atormente durante o sono.Parada aqui, mas olhando, através dos olhos de quem partiu, pra alguém que ficou... Não seguiu as suas próprias regras, não ouviu os próprios conselhos. Quanto desencontro ainda haverá nessa nossa vida?Quanta lágrima ainda há de cair até que a gente cresça. Até que alguém aprenda meu nome, até que não gritem mais em vão. Até que alguém me diga o que é que eu to fazendo aqui. A vida é um mapa de palavras, um quebra cabeça. Gritam teu nome e o resto eu optei por não ouvir. Li as páginas da tua vida com tanto entusiasmo que algumas partes parecem ser minhas. Só que agora eu leio de trás pra frente, com a ansiedade de quem espera um vôo atrasado. Leio com a angústia dos meus dias que quase me faz apagar umas páginas sem ler.Eu te ofereço abrigo e carinhos pras feridas com as quais a vida te presenteou. Confesso que eu mesma ainda estou me recuperando de tudo, mas isso não é empecilho. Também posso cuidar de você.Lembra quando este caos era só uma possibilidade, e a insegurança era só uma fraca sombra? Hoje eles têm peso, substancia e malicia. Agora estamos longe de onde gostaríamos de estar embora aqui seja um lugar quase tranqüilo, quase livre, quase romântico... Tantas mudanças e eu continuo aqui olhando para nada. Que mal há em acertar as contas com a vida?

Um comentário:

  1. Tantos lugares, tantas pessoas que falam por falar. Ao certo não se encontram, distante o coração, fugindo do que são. Deixa o silêncio agir, assim você pode viver, deixa se levar, não existe tempo pra recomeçar. Esse não é o último cápítulo, é o começo de um novo livro, é o epílogo. Não existe tempo pra recomeçar! Eu te amo, te quero tão bem, quero te ver tão feliz quanto eu espero a minha própria felicidade. To sempre aqui, tá?

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