Eu não quero ouvir sinceridade, não quero saber da verdade. Gosto de viver no mundinho de mentiras que eu inventei aqui. Cazuza disse tudo, as suas mentiras sinceras me interessam e eu não quero ouvir verdade nenhuma. Às vezes você é tão cruel nos seus comentários, às vezes você acha que a razão é só sua, não deixa nem um pedacinho pra mim. E você fala de um jeito que me deixa sem saber o que eu to fazendo. Eu sempre tive tanta certeza, eu sempre consegui convencer o mundo, eu sempre menti tão bem, mas você me deixa desarmada.
Você tem razão, você tem toda a razão. Eu sou mesmo surtada, ciumenta, descontrolada. Mas eu não to errada porque você não gosta, é você que não é o cara pra mim. Percebe? Porque algum maluco por ai vai se contentar com os descontroles e vai até achar legal. Aí quem sabe eu acalme a minha marcha, a minha espera.
Eu nunca fui a menininha do poema. Eu nunca esperei na janela, nunca quis príncipe encantado e não tenho o menor tesão por romantismo barato. Eu gosto da simplicidade com que as coisas funcionam e dos detalhes que quase ninguém percebe. Eu não sou tão chata quanto você pensa e eu não quero ficar questionando a minha existência porque, vez ou outra, eu consigo te irritar. Você é quem precisa de calmante e não eu! Eu posso muito bem controlar tudo aqui porque é isso que eu faço de melhor na vida. Porque é isso que eu faço sempre, desde o dia que você encostou sua perna na minha.
Eu sou legal, por favor não fala de novo que eu sou insuportável. Você não tem idéia do quanto cansa ser "eu". Você não faz idéia do quanto é desgastante não ter nenhum movimento reconhecido.
Você destrói tudo que é vivo aqui quando me olha desse jeito. Eu já to nua, mas parece que você consegue enxergar ainda mais fundo. E eu fico calada, gelada. A menininha feia e covarde de algum poema estúpido por aí. É aí que eu me encaixo pra você e eu não quero mais.
Eu preciso matar você em mim. Preciso afogar toda e qualquer esperança de um dia ver você me amando. Porque você não ama, consegue ver? Você sequer gosta de mim. E eu não a quem estamos tentando enganar esse tempo todo.
Eu bato a porta do carro, o portão fecha e dessa vez eu não deixei nada meu com você. Eu preciso mudar de vida.
Eu preciso lavar as minhas sarjetas com amaciante de novo. Preciso esfregar tudo, tomar o banho quente, deixar escorrer o resto de você que eu alimentava aqui.
Antes do amor morrer, eu prefiro matar você!