Quando eu era mais nova achava que quando tivesse "vinte e poucos anos" seria a pessoa mais bem resolvida do mundo. Achava que dramas amorosos eram coisas de pré-adolescentes. Depois que tive o primeiro namoro bem sucedido por mais de 2 meses, achei que nunca mais ia sofrer. Achei que tinha crescido o suficiente pra resolver todas as minhas crises e sair gargalhando de qualquer uma delas. Achava que todos os controles das situações estavam nas minhas mãos.
Naquela época eu sofria e chorava até não aguentar mais, até não ter mais forças, até machucar os olhos, até quase morrer afogada. Hoje eu sinto preguiça de sofrer e o máximo a que me permito é encher os olhos de água, repirar fundo, contar até dez e repetir que sou mesmo uma mulher muito bem resolvida. Enquanto todo mundo sabe que eu ainda tenho medo de escuro e choro de ansiedade quase todos os dias.
Hoje eu respiro fundo que é pra não dar aquele gosto de melancolia que tanto me cansa depois de horas de choro. Pra não acordar no dia seguinte com os olhos inchados e deixar o mundo perceber que eu estou cinza. Eu me visto de cinza que é pro mundo não me notar e fumo todos os cigarros do mundo na esperança de não me encontrar.
Eu não choro pra não atender o telefone com aquela voz engasgada e chorar a minha dor pra qualquer um que me der boa noite, pedir licença, acenar por engano. Eu não choro pra não dar esse gostinho seja lá pra quem for. Eu não choro pra provar que eu sou bem resolvida e não sofro mais por draminhas amorosos de pré-adolescentes.
A diferença é que quando eu tinha aquela idade, eu gostava de ser intensa e confundia intensidade com sofrimento. Achava que quanto mais eu chorasse, mais eu ia crescer, mais eu ia ser adulta, porque meus sentimentos eram maduros o suficiente pra me fazer sobreviver a uma crise. E eu já experimentava o gosto de amargas insônias e nem sabia. Eu já experimentava a solidão que mora na minha cama e não fazia nem idéia.
Hoje eu já aprendi que intensidade é bem melhor quando combinada com as minhas gargalhadas, com o olhar de apaixonada, com as projeções futuras tão delineadas e tão mentirosas. E, mesmo que não sejam mais, algum dia foram verdade e compensaram a faca fincada no peito que eu tenho agora.
quinta-feira, 26 de março de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
Bebemos demais
Bebemos demais. Perdemos a noção da hora, do perigo, do sossego. Do perigo do sossego naquela hora. Perdemos as rédeas da situação ou tomamos conta das vontades contidas e escondidas. Perdemos a fala, o ar, prendemos a respiração pra manter um pouco de oxigenio em pelo menos um dos pulmoes. Fechamos os olhos pra tudo parecer menos concreto, mais abstrato, menos real, mais intenso. A intenção não era essa, queriamos ter quebrado um muro que havia entre duas coisas tão parecidas, tão distantes e tão unidas. Quisemos sentir o gosto novo do pecado. Das mãos nada trêmulas, das certezas encontradas nos copos vazios e nos cigarros apagados pela metade. Quisemos provar o colorido do proibido. Do incontido, do prometido. Prometemos sentir apenas o gozo sem remorso, sem expectativas, sem esperanças e falsas promessas. Prometemos não gostar do beijo, não trocar olhares, não tocar as mãos. Enquanto os corpos se dilasseravam num prazer incontrolável, incontornável. Enquanto os olhos fantasiavam os segredos mais íntimos sem se render à intimidade. Sopramos palavras superficiais ao pé do ouvido, balbuciamos sem o menor sentido. Perdemos todo e qualquer sentido que havia no mundo.Sussurramos o passado inteiro até aquele exato momento. Deixamos pra que nossas projeções futuras soubessem exatamente o que fazer. Dobramos a primeira esquina sem acenar pra trás, sem olhar pra trás, sem voltar atrás. Deixamos as cicatrizes sem proteção e mesmo assim não nos machucamos mais. Cubrimos tudo que era feio, tudo que era cinza e deixamos transparecer apenas o que era sonho, desejo, paixão.Atravessamos uma linha muito tênue entre o desejo e o desejo. O desejo carnal e o desejo apaixonado. Deixamos que o universo conspirasse a nosso favor, trazendo toda e qualquer oportunidade a ser agarrada. Fomos de um lado ao outro, corremos sem os sapatos, sem as roupas, sem as máscaras. Caímos de costas na areia, molhamos os dois pés no mar. Entregamos o que tinha de mais puro e mais sujo um ao outro. Bebemos demais. Perdemos a noção da hora, perdemos a noção do perigo. Perdemos o sossego, o ar, as rédeas da situação. Perdemos o tempo que já era perdido e agarramos todos os segundos como se fossem os últimos das nossas vidas. Suspiramos na boca um do outro, percorremos caminhos tão diferentes. Exploramos pedaços nunca antes explorados. Cheiramos, beijamos, lambemos, sugamos, mordemos... amamos!
3º mês do ano
Acoooooooooorda, é primeiro de janeiro. Vamos pra praia, vamos tomar banho de mar, vamos tomar cerveja na areia, vamos pisar em garrafas jogadas na praia, vamos rir das ressacas alheias, vamos rir pro mundo pra ver se ele ri de volta.
Vamos nos amontoar em baixo do guarda sol porque aqui o sol é quente demais. Vamos confirmar que os protetores solares protegem contra os raios nocivos do sol. Vamos comer camarão na beira da praia e desafiar as leis da vigilancia sanitária.
Vamos voltar pra casa, sentir frio, não ter o que comer na geladeira, usar internet rápida sem interrupções. Vamos ficar feliz com uma notícia lá de cima, de outro país, quase de outro planeta. Vamos correndo ver se chegou um novo email, vamos chorar a falta de madrugada.
Vamos respirar fundo e contar até 10!
Corre, corre, corre, é tarde. Tudo ao mesmo tempo: agora!
Pra que a pressa?
Vamos esperar o segundo mês chegar, e ele chegou. Trazendo a comemoração no dia errado, floripa continua linda e mágica. Tudo no mesmo lugar com algumas pequenas modificações. O tempo não para, alguém já disse isso??
Agora o mês 3 quase acaba e a gente continua correndo. Corre, corre, corre, não sei pra que tanta pressa. Respira fundo, você já aprendeu que essa sensação passa no quarto segundo.
Já foram 3 tpms, 3 floripas, 3 celulares.
Tomara que tudo se acalme no 4º mês. Tomara que as músicas da moda sejam atualizadas. Que o carro chegue, que o coelho da páscoa traga o feriado esperado.
Tomara que o mês termine bem.
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10...
ufa!
Vamos nos amontoar em baixo do guarda sol porque aqui o sol é quente demais. Vamos confirmar que os protetores solares protegem contra os raios nocivos do sol. Vamos comer camarão na beira da praia e desafiar as leis da vigilancia sanitária.
Vamos voltar pra casa, sentir frio, não ter o que comer na geladeira, usar internet rápida sem interrupções. Vamos ficar feliz com uma notícia lá de cima, de outro país, quase de outro planeta. Vamos correndo ver se chegou um novo email, vamos chorar a falta de madrugada.
Vamos respirar fundo e contar até 10!
Corre, corre, corre, é tarde. Tudo ao mesmo tempo: agora!
Pra que a pressa?
Vamos esperar o segundo mês chegar, e ele chegou. Trazendo a comemoração no dia errado, floripa continua linda e mágica. Tudo no mesmo lugar com algumas pequenas modificações. O tempo não para, alguém já disse isso??
Agora o mês 3 quase acaba e a gente continua correndo. Corre, corre, corre, não sei pra que tanta pressa. Respira fundo, você já aprendeu que essa sensação passa no quarto segundo.
Já foram 3 tpms, 3 floripas, 3 celulares.
Tomara que tudo se acalme no 4º mês. Tomara que as músicas da moda sejam atualizadas. Que o carro chegue, que o coelho da páscoa traga o feriado esperado.
Tomara que o mês termine bem.
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terça-feira, 24 de março de 2009
Eu paro pra pensar e paro de respirar. Não há como manter o ar circulando com tanta coisa dentro da cabeça. O ar entra todo de uma vez e causa uma sensação esquisita de desespero. Vem um frio na barriga intenso, parece que o chão sumiu e eu fui parar lá no teto. Talvez seja puro medo de altura.
O ar sai todo de uma vez, fazendo os lábios formigarem, as mãos congelarem, as pernas estremescerem. Tanta coisa acontecendo em 3 segundos. No quarto segundo tudo começa a voltar ao normal. O sangue encontra o caminho certo pelas veias. O sangue chega ao cérebro e permite que as coisas sejam vistas com mais clareza. As mãos esquentam subitamente, a cor volta ao rosto pálido e sem vida. As pernas vencem mais um desafio tentando se manter em pé. Essa foi por pouco.
O pensamento não foi embora, ele volta em poucos segundos. O pensamento não traduz exatamente o que se passa aqui. E tudo parece ser muito mais do que é quando eu tento explicar.
É aquele velho gosto pelo velho drama, com um pouquinho de whisky e dois cubos de gelos. Eu não tomo whisky, mas tenho um tesão incontrolável em combina-lo a uma noite de insônia e pretensões.
4 horas da manhã e não encontro mais nada pra fazer na cama. O tempo para, a noite para, a cidade está completamente parada. O silencio é quebrado com um carro a cada 10 minutos passando por aí. Alguém volta do bar com a cara cheia de cerveja. Alguém volta do motel com o ego cheio de certezas. Alguém saiu de casa porque acordou e não tinha mais nada pra fazer. Alguém acordou e percebeu que não tinha mais cigarros em casa. Alguém percebeu que não tem mais nada pra fazer as 4 da manhã na cama. Alguém vai encher a cara de cerveja, alguém vai pra casa de alguém fingir que é motel, alguém vai perambular pela cidade e terminar a noite em casa, na cama, sem nada pra fazer. Talvez um ou dois cigarros até a ansiedade voltar a aparecer. Talvez um ou dois filmes pra ter que levantar de fato e quase morrer de sono.
É só respirar fundo e esperar que tudo volte a acontecer. Que o dia amanheça, que seja mais uma terça feira cheia de horas pra passar. Não tem whisky, não tem carro, não tem cigarro. Tem uma janela, uma cidade fria e o silêncio quase perturbador da madrugada.
Nada como uma boa noite de insônia pra dar ainda mais sabor ao velho drama.
O ar sai todo de uma vez, fazendo os lábios formigarem, as mãos congelarem, as pernas estremescerem. Tanta coisa acontecendo em 3 segundos. No quarto segundo tudo começa a voltar ao normal. O sangue encontra o caminho certo pelas veias. O sangue chega ao cérebro e permite que as coisas sejam vistas com mais clareza. As mãos esquentam subitamente, a cor volta ao rosto pálido e sem vida. As pernas vencem mais um desafio tentando se manter em pé. Essa foi por pouco.
O pensamento não foi embora, ele volta em poucos segundos. O pensamento não traduz exatamente o que se passa aqui. E tudo parece ser muito mais do que é quando eu tento explicar.
É aquele velho gosto pelo velho drama, com um pouquinho de whisky e dois cubos de gelos. Eu não tomo whisky, mas tenho um tesão incontrolável em combina-lo a uma noite de insônia e pretensões.
4 horas da manhã e não encontro mais nada pra fazer na cama. O tempo para, a noite para, a cidade está completamente parada. O silencio é quebrado com um carro a cada 10 minutos passando por aí. Alguém volta do bar com a cara cheia de cerveja. Alguém volta do motel com o ego cheio de certezas. Alguém saiu de casa porque acordou e não tinha mais nada pra fazer. Alguém acordou e percebeu que não tinha mais cigarros em casa. Alguém percebeu que não tem mais nada pra fazer as 4 da manhã na cama. Alguém vai encher a cara de cerveja, alguém vai pra casa de alguém fingir que é motel, alguém vai perambular pela cidade e terminar a noite em casa, na cama, sem nada pra fazer. Talvez um ou dois cigarros até a ansiedade voltar a aparecer. Talvez um ou dois filmes pra ter que levantar de fato e quase morrer de sono.
É só respirar fundo e esperar que tudo volte a acontecer. Que o dia amanheça, que seja mais uma terça feira cheia de horas pra passar. Não tem whisky, não tem carro, não tem cigarro. Tem uma janela, uma cidade fria e o silêncio quase perturbador da madrugada.
Nada como uma boa noite de insônia pra dar ainda mais sabor ao velho drama.
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