terça-feira, 23 de junho de 2009

Yes, baby!

É batom vermelho? É salto alto e rímel preto? É isso que precisa pra ser mulher? É equilibrar as pernas, entortar os joelhos só pra fazer pose e ver o mundo de cima? As baixinhas que me perdoem, mas autenticidade é fundamental. E, no meu caso, a altura, inevitável.
Ver o mundo do alto tem suas compensações. Sair de tênis e me sentir ainda mais mulher, inexplicável.
O mundo é cheio de frescura e toda mulher acha que precisa fazer pose pra ser mulher de verdade. As costas doem e eu preciso mesmo é me jogar na cadeira e relaxar. Rir alto de bobeira, prender o cabelo pra não me atrapalhar com as cervejas.
A semana passou tranquila. Não que eu queira alguma responsabilidade, mas ter a casa vazia não serve mais pra encher de gente. Serviria pra andar pelada se não fizesse tanto frio. Serve pra fumar sem culpa em qualquer cômodo da casa, e descobrir que o cachorro sem a mãe fica mimado e faz xixi pela casa, pura birra.
Não serve pra trazer namorado pra casa, nem dar uns beijos na boca no sofá da sala. Serve pra não precisar dar satisfação por 3 ou 4 dias e usar a mesma meia só por preguiça de voltar pra casa.
A sexta feira chegou com sol, cervejas no parque e cheiro de vida nova. Vamos abrir uns portais por aí, esquecer das duas provas da segunda feira, da família, do cachorro, da vida. Vamos sair de tênis, sem maquiagem. Vamos roubar copos de bar, beber martini com sal e brindar à saúde. Vamos estabelecer os mesmos ritmos, as mesmas frequências.
Freud explica. Eu só te conto, não foi idéia minha. Eu adoro!
Vamos falar na terceira pessoa, bem vindo alter ego, diga olá ao seu id.
Não existe tanto extremismo assim, não existe. Eu só gosto de falar, você percebeu.
Vamos questionar todas as questões mais profundas e mentirosas. Vamos encher os copos de boas intenções de boteco. Vamos mudar o mundo com idéias revolucionárias, bares com bebidas infinitas, alimentar criancinhas na África, implantar a terceira pessoa, inventar mais umas facetas pra me divertir.
São três cores e três formas diferentes. Três nomes que agora não me vem à mente. Eu, eu mesma e aquela ali um pouco mais escondida tentando não parecer tão previsível quanto realmente é.
Não, não é esquizofrenia, não é alcoolismo. Eu já te contei sobre essa parte.
Vamos jogar fora todos os princípios e arriscar umas notas sem refrão. A cama no chão, o travesseiro no sofá, o verde que combina com o azul.
O tempo passa arrastado. Um segundo de euforia, umas horas de bebedeira, um dia de ressaca. Puras consequências de um dia maluco!

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