Eu paro pra pensar e paro de respirar. Não há como manter o ar circulando com tanta coisa dentro da cabeça. O ar entra todo de uma vez e causa uma sensação esquisita de desespero. Vem um frio na barriga intenso, parece que o chão sumiu e eu fui parar lá no teto. Talvez seja puro medo de altura.
O ar sai todo de uma vez, fazendo os lábios formigarem, as mãos congelarem, as pernas estremescerem. Tanta coisa acontecendo em 3 segundos. No quarto segundo tudo começa a voltar ao normal. O sangue encontra o caminho certo pelas veias. O sangue chega ao cérebro e permite que as coisas sejam vistas com mais clareza. As mãos esquentam subitamente, a cor volta ao rosto pálido e sem vida. As pernas vencem mais um desafio tentando se manter em pé. Essa foi por pouco.
O pensamento não foi embora, ele volta em poucos segundos. O pensamento não traduz exatamente o que se passa aqui. E tudo parece ser muito mais do que é quando eu tento explicar.
É aquele velho gosto pelo velho drama, com um pouquinho de whisky e dois cubos de gelos. Eu não tomo whisky, mas tenho um tesão incontrolável em combina-lo a uma noite de insônia e pretensões.
4 horas da manhã e não encontro mais nada pra fazer na cama. O tempo para, a noite para, a cidade está completamente parada. O silencio é quebrado com um carro a cada 10 minutos passando por aí. Alguém volta do bar com a cara cheia de cerveja. Alguém volta do motel com o ego cheio de certezas. Alguém saiu de casa porque acordou e não tinha mais nada pra fazer. Alguém acordou e percebeu que não tinha mais cigarros em casa. Alguém percebeu que não tem mais nada pra fazer as 4 da manhã na cama. Alguém vai encher a cara de cerveja, alguém vai pra casa de alguém fingir que é motel, alguém vai perambular pela cidade e terminar a noite em casa, na cama, sem nada pra fazer. Talvez um ou dois cigarros até a ansiedade voltar a aparecer. Talvez um ou dois filmes pra ter que levantar de fato e quase morrer de sono.
É só respirar fundo e esperar que tudo volte a acontecer. Que o dia amanheça, que seja mais uma terça feira cheia de horas pra passar. Não tem whisky, não tem carro, não tem cigarro. Tem uma janela, uma cidade fria e o silêncio quase perturbador da madrugada.
Nada como uma boa noite de insônia pra dar ainda mais sabor ao velho drama.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirsaudades destes textos malucos, hehe...
ResponderExcluirvê se mantém atualizado esse brinquedinho...
beijos