terça-feira, 24 de março de 2009

Eu paro pra pensar e paro de respirar. Não há como manter o ar circulando com tanta coisa dentro da cabeça. O ar entra todo de uma vez e causa uma sensação esquisita de desespero. Vem um frio na barriga intenso, parece que o chão sumiu e eu fui parar lá no teto. Talvez seja puro medo de altura.
O ar sai todo de uma vez, fazendo os lábios formigarem, as mãos congelarem, as pernas estremescerem. Tanta coisa acontecendo em 3 segundos. No quarto segundo tudo começa a voltar ao normal. O sangue encontra o caminho certo pelas veias. O sangue chega ao cérebro e permite que as coisas sejam vistas com mais clareza. As mãos esquentam subitamente, a cor volta ao rosto pálido e sem vida. As pernas vencem mais um desafio tentando se manter em pé. Essa foi por pouco.
O pensamento não foi embora, ele volta em poucos segundos. O pensamento não traduz exatamente o que se passa aqui. E tudo parece ser muito mais do que é quando eu tento explicar.
É aquele velho gosto pelo velho drama, com um pouquinho de whisky e dois cubos de gelos. Eu não tomo whisky, mas tenho um tesão incontrolável em combina-lo a uma noite de insônia e pretensões.
4 horas da manhã e não encontro mais nada pra fazer na cama. O tempo para, a noite para, a cidade está completamente parada. O silencio é quebrado com um carro a cada 10 minutos passando por aí. Alguém volta do bar com a cara cheia de cerveja. Alguém volta do motel com o ego cheio de certezas. Alguém saiu de casa porque acordou e não tinha mais nada pra fazer. Alguém acordou e percebeu que não tinha mais cigarros em casa. Alguém percebeu que não tem mais nada pra fazer as 4 da manhã na cama. Alguém vai encher a cara de cerveja, alguém vai pra casa de alguém fingir que é motel, alguém vai perambular pela cidade e terminar a noite em casa, na cama, sem nada pra fazer. Talvez um ou dois cigarros até a ansiedade voltar a aparecer. Talvez um ou dois filmes pra ter que levantar de fato e quase morrer de sono.
É só respirar fundo e esperar que tudo volte a acontecer. Que o dia amanheça, que seja mais uma terça feira cheia de horas pra passar. Não tem whisky, não tem carro, não tem cigarro. Tem uma janela, uma cidade fria e o silêncio quase perturbador da madrugada.
Nada como uma boa noite de insônia pra dar ainda mais sabor ao velho drama.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. saudades destes textos malucos, hehe...
    vê se mantém atualizado esse brinquedinho...

    beijos

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