quinta-feira, 26 de março de 2009

Eu não cresci

Quando eu era mais nova achava que quando tivesse "vinte e poucos anos" seria a pessoa mais bem resolvida do mundo. Achava que dramas amorosos eram coisas de pré-adolescentes. Depois que tive o primeiro namoro bem sucedido por mais de 2 meses, achei que nunca mais ia sofrer. Achei que tinha crescido o suficiente pra resolver todas as minhas crises e sair gargalhando de qualquer uma delas. Achava que todos os controles das situações estavam nas minhas mãos.
Naquela época eu sofria e chorava até não aguentar mais, até não ter mais forças, até machucar os olhos, até quase morrer afogada. Hoje eu sinto preguiça de sofrer e o máximo a que me permito é encher os olhos de água, repirar fundo, contar até dez e repetir que sou mesmo uma mulher muito bem resolvida. Enquanto todo mundo sabe que eu ainda tenho medo de escuro e choro de ansiedade quase todos os dias.
Hoje eu respiro fundo que é pra não dar aquele gosto de melancolia que tanto me cansa depois de horas de choro. Pra não acordar no dia seguinte com os olhos inchados e deixar o mundo perceber que eu estou cinza. Eu me visto de cinza que é pro mundo não me notar e fumo todos os cigarros do mundo na esperança de não me encontrar.
Eu não choro pra não atender o telefone com aquela voz engasgada e chorar a minha dor pra qualquer um que me der boa noite, pedir licença, acenar por engano. Eu não choro pra não dar esse gostinho seja lá pra quem for. Eu não choro pra provar que eu sou bem resolvida e não sofro mais por draminhas amorosos de pré-adolescentes.
A diferença é que quando eu tinha aquela idade, eu gostava de ser intensa e confundia intensidade com sofrimento. Achava que quanto mais eu chorasse, mais eu ia crescer, mais eu ia ser adulta, porque meus sentimentos eram maduros o suficiente pra me fazer sobreviver a uma crise. E eu já experimentava o gosto de amargas insônias e nem sabia. Eu já experimentava a solidão que mora na minha cama e não fazia nem idéia.
Hoje eu já aprendi que intensidade é bem melhor quando combinada com as minhas gargalhadas, com o olhar de apaixonada, com as projeções futuras tão delineadas e tão mentirosas. E, mesmo que não sejam mais, algum dia foram verdade e compensaram a faca fincada no peito que eu tenho agora.

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