Eu não vou permitir que você me deixe tão vazia agora. Eu não vou abrir as portas pra você sair correndo mais uma vez, agora você fica e quem determina isso sou eu, cheia de razão, cheia de amor pra te dar, segura e inabalável. Morrendo de medo, tremendo tanto que mal consegue parar em pé, chorando por dentro, soluçando igual a uma criança sem nem conseguir falar. Respirando fundo e contando até dez, esperando em qual segundo eu vou desabar e te entregar os pontos. Ouvindo minha própria cabeça apostando contra mim. Quanto tempo eu vou levar pra cair no choro, pra sentir aquele nó no fundo da garganta, aquela facada no meio do peito. Quanto tempo eu vou levar pra me jogar nos pés e implorar pra você não ir.
Por favor, não vai embora agora. Espera anoitecer um pouco mais, você sabe o quanto eu me sinto sozinha quando o dia tá deixando de ser dia e virando noite. Espera eu te preparar o jantar, te comprar uma cerveja gelada, te servir um whisky caríssimo que eu comprei só pra você. Espera eu colocar aquela música que você adora, me vestir como você adora, ser quem você adora.
Me dá uma chance de te fazer feliz.
10 minutos. Talvez até um pouco menos. E lá vou eu correndo com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudanças. Lá vou eu mendigar um pouco do seu amor que nunca foi meu. Rastejar aos pés, lamber o chão, deixar você pisar em mim. Lá vou eu despida de armaduras, de forças, de determinação. Você me faz fraquejar e eu nem sei mais quem eu sou sem você.
Talvez uma magrela sem graça, perna demais, nariz demais, gritos demais.
Talvez uma branquela sem peito, sem bunda, sem sal.
Talvez uma menininha sem cor, sem vida, sem utilidade.
E lá vai você andando com a sua pose de homem. Lá vai você fingindo que é mais bem resolvido que eu, cheio de pose. Lá vai você chorando por dentro, por outros motivos, se perdendo, se esquivando. Lá vai você morrendo de medo de ficar, deixando um pedaço seu e me levando embora com você.
Lá vai você. E aqui fico eu, te amando tanto que até deixo você ir!
Nenhum comentário:
Postar um comentário