Eu não fiz porra nenhuma do que eu prometi fazer. Não saí do lugar, de novo. Não sei qual a celular estúpida que eu tenho aqui dentro que ainda me faz dar os mesmos murros na mesma ponta de faca. Se ainda mudassem os murros... ou as facas. Mas não, é tudo igual, igual, igual.
Um dia de cada vez, até parece reunião do AA.
Um passo atrás do outro, até parece uma criança aprendendo a andar.
É assim que as coisas funcionam. A gente aprende a mesma coisa mil vezes durante a vida e continua sem saber exatamente o que fazer.
Por exemplo, alguém no meu prédio tenta aprender a música do Titanic na flauta há mais de uma semana e erra sempre a mesma nota, que eu até já sei qual é. Fico esperando o erro e batata... ela erra!
É assim que as coisas funcionam. Todo mundo vê onde você vai errar, todo mundo avisa, todo mundo alerta, você vai lá e batata... erra! Cai, tropeça, despenca. Se ainda fosse de bebedeira, mas não, cai de sobriedade, de preguiça dessa vida, de medo de ficar parada, medo de andar de costas sem olhar pra trás. Medo de sair de fininho e ninguém notar minha ausência.
Medo de sair correndo e chamar demais a atenção. Aí todo mundo vai saber que eu fugi. Não que eu me importe, mas isso me coloca num papel de vítima frágil que eu adoro fazer... e pode ser bem perigoso.
A menina desce do carro com a roupa nova, espera bater o vento nos cabelos, fecha um pouquinho os olhos, passa a lingua entre os lábios, deixa-os semi abertos e joga a cabeça pra trás. Igualzinha a mocinha da novela. E ela consegue o que quer, só porque usa um batom vermelho e um salto alto. E a menina não consegue porque é muito branca pro batom vermelho e muito alta pro salto. E nada sai igual. E o mundo ri da sua falta de prática, da sua falta de jeito.
Ela senta no meio fio e chora. E agora não se importa que o mundo lhe dê o papel de mocinha abandonada. Porque é justamente isso que ela é. Enquanto o mundo gira por aí pra alguns, para outros ele permanece parado, flutuando num espaço quase inexistente.
Respirar fundo ajuda, tomar um porre ajuda, chorar até quase se afogar também ajuda. Mas o que ajuda mesmo é que o vermelho até me deixa um pouquinho mais corada. O que ajuda mesmo é ver uma baixinha se equilibrando no salto e sofrendo com as calçadas irregulares.
Até o maior tombo tem seu lado positivo.
e isso se chama paixão.
ResponderExcluirainda bem que dá e passa hahahaha