segunda-feira, 11 de maio de 2009

Respira fundo

Dá um medo agudo no fundo da alma. Daqueles que doem lá no fundo da garganta, onde nem deve mais ser garganta. Uma pontada no meio do peito que se espalha por todo o resto do corpo. As duas mãos burras não sabem onde param pra parecerem naturais. Elas não são naturais a essa altura do campeonato. O cabelo parece ter sido alvo de choques elétricos porque insiste em não parar no lugar. As duas mãos burras tentam ajeitar, mas o suor destrutivo só piora as coisas. O estômago dá um salto mortal a cada 5 segundos e eu tenho que prender a respiração pra não vomitar a ansiedade descontrolada. Acendo um cigarro pra fingir a minha melhor pose de pretensão despretensiosa. Eu começo a olhar em volta, sorrindo muito, suando muito, morrendo muito. Desejando não ter tido a estúpida idéia de ter ido. Eu não devia ter ido, eu nunca vou conseguir disfarçar tanta falta de jeito. Eu me torno estúpida, sem nexo e super burra. Além de surda, porque preciso perguntar tudo duas vezes pra poder pensar na melhor resposta. Mas esse tempo é usado só pra deixar tudo mais esquisito. Eu não consigo expressar tudo que eu penso, não consigo mostrar o quanto sou bem resolvida, engraçada, inteligente. Eu só consigo balbuciar comentários que me fazem querer mais ainda nunca ter nascido.
Eu rio alto, essa é uma mania que eu nunca consegui controlar. Finjo que sou a pessoa mais bem humorada do sistema solar e, vez ou outra, sinto uma vontade absurda de correr pro colo da minha mãe e escuta-la me dizendo "Filha, você precisa parar com isso". E, mesmo sabendo que eu preciso parar com tantas coisas, parece que mais quero provar pra mim mesma que um dia eu vou conseguir, cometendo os mesmos erros, que um dia vão virar acertos. E aí eu vou poder olhar pra um monte de gente que nunca acredita em mim e dizer um daqueles ditados que só servem pra deixar umas conversas um pouco mais incrementadas.
E aí eu viro pro lado e vejo ali, tão pertinho. E finjo que não vi, rindo alto, prendendo o cabelo e soltando repetidas vezes, sentindo meu colo ficando rosa e respirando bem fundo, discretamente, afim de não morrer virando os olhos de ataque cardíaco. O mundo parece tão desinteressante assim que eu só consigo lembrar da coisa mais sexy que já vi na vida. Sexy mesmo, coisa brega de filme de amor com Julia Roberts e Richard Gere. Eu só consigo lembrar dos seus ombros nem tão largos assim, nem tão alinhados assim. Perfeitamente assim. O vão que você tem no meio das costas me paraliza e te faz ganhar o prêmio de homem mais sexy do mundo na minha vida de novelas. Eu lembro e vejo você correndo de um lado pro outro, também sempre rindo. E se a gente não ri juntos eu ainda acredito na felicidade sem egoísmos. É que eu não sei mais se você é o homem da minha vida, mas agora você ganhou o posto de homem mais sexy da minha vida. Os anos vão passar, eu vou crescer, virar uma adulta de verdade, vou trabalhar de terninho e salto alto, vou participar de happy hours com a real intenção de relaxar depois do trabalho. Vou chamar os amigos pra jantar na minha casa à la cafe de la musique. Vou aprender a cozinhar e todo mundo vai ficar besta quando lembrar de quanto eu era uma moleca sem preguiça da vida. Viver causa um medo filha da puta, uma preguiça filha da puta. E eu continuo colecionando histórias pra contar.
Você passou por mim e você me viu e aí eu escondi todo aquele pavor de baixo das minhas defesas pessoais e virei de uma só vez o copo cheio. Eu não quero aplausos pelo gosto de fingir o poder que eu não tenho, quero admiração pela coragem de não conseguir fingir e continuar parada no mesmo lugar. Vez ou outra andando por aí, pra distrair as pernas, os olhares. Pra enganar minhas próprias esperas e desejar, por pouco tempo que seja, um olhar um pouco mais discreto, um pouco mais quieto, um pouco mais alto e nada determinado.
Eu já rio agora, daqui um tempo vou gargalhar de saudade das novelas dos meus 20 e poucos anos.

Um comentário:

  1. Ainda bem que o tempo passa, o mundo gira, o mundo é uma bola! HIOAHIAOHIAIOAHIOA
    =P

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