quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Enfim, só.

Eu sempre soube que eu podia viver do mesmo jeito. Aquela idéia de amor até o último fio de cabelo foi abandonada no auge dos 15 anos com o fim de uma das paixonites sem maiores repercuções.

E, mesmo que eu tenha sofrido "até a última ponta", depois cresceu tudo de novo, ou sei lá, ficou parado no mesmo lugar, mas passou. Ah, se passou. Tanta gente resolve invadir esse espaço sem nem saber se tem disposição pra manter o espaço vivo.

É como se fosse um aluguel com pagamento bem brega e fácil de utilizar, mas não cumprem o contrato do prazo mínimo e ainda saem sem pagar a multa resisória do contrato. Isso devia dar processo e dinheiro. Pelo menos uma utilidade menos subjetiva pros dias de calmantes e cabeça na pia.

Dessa vez passou rápido demais, ao mesmo tempo que durou rápido demais. Consegue perceber o quanto tudo foi contraditório e o quanto eu nem consigo explicar? Consegue ver que foi tudo uma grande perda de tempo pra nós dois?

Enquanto eu corria com a lingua de fora atrás de você, me sacudindo como um cachorrinho sem dono, suando e matando todas as minhas células com a acidez corrosiva da minha ansiedade, você saía ileso desfilando vitorioso numa comemoração estúpida pós sexo que só os homens sem cérebro conseguem fazer.

E alguma coisa ainda me dizia que seus filhos iam morar na minha barriga. E alguma coisa me diz que isso só pode ter sido um castiguinho pra aprender a não brincar com o sentimento alheio.
Acho o caminho certo cheio de tédio.

Ainda que ninguém tenha me dito o que era certo nessa porra toda. Aí eu saí correndo e trombei com o primeiro par de ombros maiores que o seu, dispostos a secar as minhas lágrimas e beijar minha boca com vontade.

Eu só tinha visto em você uma excelente companhia pra minha solidão. Achei que elas podiam caminhar juntas enquanto a gente se divertia por aí. Ainda bem que nunca é tarde pra descobrir que contentamento e tranquilidade podem ser vendidas em porções individuais.

Eu comprei uma que chamava "Feriado em Floripa" e tomei no meio de todos aqueles rituais que eu adoro pra exorcisar todo o cansaço dos meus ombros de apenas 22 anos.

Deixei de lado toda aquela preocupação, toda aquela dor que perduraria por anos se eu não tirasse daqui. Varri toda a sua sujeira, que morava em baixo do tapete, pra rua, pro mundo, pra onde mais pertencer.

Mexi nas suas sarjetas inundadas e tirei meus pedaços de lá. Lavei meu mundo com amaciante cor de rosa e cheiro de lavanda. Passei meu perfume, aquele que me lembrava você, e agora me lembra meu presente. Escovei os dentes pra tirar de vez o seu gosto e consegui sorrir de frente para o espelho.

Consegui sentir a palpitação ansiosa e nada destrutiva do cheiro de coisa nova, vida nova, expectativas. Milhões delas.

E aí que me disseram que se você consegue se ver sorrindo, é porque está fazendo a coisa certa. Assim eu não preciso de mais nenhuma garantia e nenhum frio na barriga pra me fazer perder o controle.

Eu não deixei de ser feliz. E não quero usar o clichê das "mal amadas" pensando que estou mais feliz sem você. Eu só descobri outras maneiras, outras formas.

Eu só descobri o que tava ali estampado em todas as minhas paredes, nas portas do meu carro. No chão do meu quarto, nas gavetas desarrumadas, nas suas roupas paradas, nos seus presentes amontoados. Descobri que eu sempre consegui tudo aquilo que eu queria, sem precisar me rastejar e implorar pela bondade do universo. Descobri que tudo depende de tudo e eu posso ter uma grande ou pequena parcela de culpa e posso passar o resto da vida sem perceber. Antes tarde do que nunca.

Eu descobri que não era amor. E não, não era melhor.

E agora eu to aqui revivendo todos os minutos daquela droga que eu tomei com tanta maturidade que não consigo nem ficar triste com a ausência. Com tanta maturidade que eu nem me sinto mais sozinha.

Agora eu fico aqui entendendo tudo de natação, planejando uma visita aos mineiros, tentando não deixar aquele véu branco cobrir as minhas lembranças. Agora eu fico com a parte boa, com a saudade, com meu celular em cima da mesa que não para de tocar, com a certeza de ter feito a coisa certa.

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