Tanto faz. Não interessa. Os fins justificam os meios. Eu concluí o sucesso, não preciso saber do caminho.
Seja lá o que tenha sido, não foi tão bem feito. Alguma coisa ali escapou, passou despercebida. Uma válvula, falta de oxigênio, excesso de endorfina. E quem é que vai remediar agora?
Quem é que vai me botar numa cama quentinha, ouvir tudo que eu nunca tenho a dizer sobre nada? Alguém aí vai querer meia hora de lamentações e questionamentos idiotas?
Eu tentei tanto continuar a ser a terceira pessoa. Tentei deixar tudo isso pra um personagem sem pé nem cabeça que me representa tão bem. Tentei florear, inventar e me saí perfeitamente bem. Não fosse pelo fato de ainda ser uma mulherzinha excessivamente frágil que começa a chorar com um seriado bobo na tv com suas músicas de dor e inicia aí o processo de avaliação da sua própria vida.
Não, não é um bom momento pra concluir se tenho me sabotado mais do que normalmente. Não é um bom momento pra questionar fins de relacionamentos, lembrar de ex namorados e suas namoradas cheias de silicone. Também não é um bom momento pra ter a internet como fonte de inspiração e investigação.
Eis que qualquer música que fale de qualquer dor, me comove. Pode até ser dor de ouvido. Mas a que mais dói é o chute na quina da mesinha de cabeceira. E ninguém foi capaz de escrever uma música sobre isso.
Isso é que é dor.
Eu aguentei por tanto tempo. Foram dias de glória, entusiasmo puro. Nenhuma crise existencial, nenhum draminha barato, nenhum texto sobre a porra do amor. E agora dói tudo.
E qual o remédio pra essa dor passar? Dor de ouvido pode ser curada com antibiótico. Mas e agora? O que resolve? Colo de mãe? Brigadeiro? Porre com os amigos? Choro na madrugada?
Jogar o computador pela janela com as músicas, seriados e teclas pra escrever?
É aí que eu escuto lá no fundo alguém me dizendo
"Só mais dois dias, meu bem... só mais dois dias e a TPM acaba".
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