Ontem o dia corria calmo e tranquilo, até que eu me dei um horário pra sair de casa. Às 8 eu to saindo, nem um minuto a mais, nem um minuto a menos. Quero 8 horas. Deu tempo de ver uns pedacinhos da novela da 6. Deu tempo de morrer de preguiça, entregar todas as minhas celulas pra minha cama, dar umas duas roladas, rir sozinha e notar que o peito direito é levemente maior que o esquerdo. Levanto da cama como uma lesma se arrastando, venho puxando cada osso, cada centímetro que ainda vive pra secar o cabelo e fazer lá uma maquiagem simples e rápida.
De frente pro espelho constato que peitos com quase 22 anos já sofrem com a gravidade. Eu ia ficar bem de franja, olha que engraçado. Umas quatro caretas, umas duas caras de choro pra ver qual convence mais da minha tristeza, umas duas gargalhadas que eu venho ensaiando pra abandonar aquela alta, escandalosa que não me deixa ser imperceptível.
O tempo correu tranquilo. Até que já são 5 pras 8. Mas eu to pronta. Peraí, eu to saindo de casa agora. Só falta escolher um brinco, um sapato, decidir se vou mesmo com essa blusa ou não e fazer lá uma maquiagem simples e rápida. 2 minutos.
E o tempo me atropela e eu ainda fico indignada porque não é possível um ser humano ser tão lento pra ter o toque de despertar. Eu quase desisto de ir, porque correr não é meu forte. Eu caio três vezes enquanto experimento os sapatos, começo a suar, passo a mão no cabelo que já gruda na testa e perde todo o charme.
O brinco cai no chão e eu piso em cima, ele quebra. Era justo esse que mais combinava comigo hoje. O valor sentimental foi com ele pra cestinha de lixo. Eu fico triste, ensaio duas ou três caras de abandono, me olho no espelho uma última vez pra ver se os dentes estão limpos e... hey ho let´s go!!!
Esqueci o desodorante, esqueci o casaco preto, não peguei a chave de casa e o celular vai ficar sem bateria.
E a noite corre tranquila!
BEEEEEEEESTA! HAIHAIOHAIOAHIOAHIOAHIOAHIOAHIHA
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