sábado, 30 de maio de 2009

Nunca é tarde

Finalmente você abriu os olhos. Com cara de quem esconde o mundo. Você me olhava fundo nos olhos e eu podia sentir a tua tristeza entrando em mim. Eu podia sentir você me invadindo e eu não quero que você me invada, porque nada é tão claro aqui quanto você gostaria que fosse. Você fecha os olhos e se afasta, vai tão longe que eu não consigo te alcançar. Mesmo que eu vá, aos poucos, cobrindo você com todas as minhas celulas, você vai. E você demora pra voltar. Volta com os olhos molhados, com o rosto amassado, com a mesma tristeza escondida. Eu não consigo te fazer feliz. E isso é tão frustrante pra mim. Eu beijo a sua testa, eu digo o quanto acho você lindo, o quanto admiro todos os seus gominhos no lugar, o quanto desejo a sua boca, a sua vida. Eu seguro a sua mão, deito no seu peito, choro até cansar. Levanto, pulo na cama, pulo em você, beijo seu corpo inteiro. Abro as janelas, dou boa tarde pro sol, te encho com um entusiasmo falso, enquanto eu tento juntar forças pra ser... forte. Você continua de olhos fechados pro mundo, sonhando acordado com um passado que não é mais seu. Com um passado que continua lá, mas tão diferente, tão independente. E você caminha procurando os mesmos passos, as mesmas calçadas. Eu desvio seu caminho, mas você sempre cai no mesmo lugar. Você precisa passar pela mesma rua, conferindo o que eu ainda não sei, mas desconfio. Eu sorrio com toda a sinceridade em mim, danço com toda a minha falta de jeito, exibo minhas pernocas grandes demais, mostro todas as minhas conquistas, te divirto com o meu drama sem luxo. Pelo menos eu te faço rir um pouquinho e você quase consegue abrir os olhos pra outra direção. Eu to aqui, olha!

2 comentários:

  1. Você me tem fácil demais e não parece capaz de cuidar do que possui. Você sorriu e me propôs que eu te deixasse em paz, me disse vai e eu não fui. (8)

    Você me faz correr demais
    Os riscos desta highway
    Você me faz correr atrás
    Do horizonte desta highway
    Ninguém por perto, silêncio no deserto
    Deserta highway
    Estamos sós e nenhum de nós
    Sabe exatamente onde vai parar

    Mas não precisamos saber pra onde vamos
    Nós só precisamos ir
    Não queremos ter o que não temos
    Nós só queremos viver
    Sem motivos, nem objetivos
    Estamos vivos e isto é tudo
    É sobretudo a lei
    Da infinita highway

    Quando eu vivia e morria na cidade
    Eu não tinha nada, nada a temer
    Mas eu tinha medo, medo dessa estrada
    Olhe só, veja você
    Quando eu vivia e morria na cidade
    Eu tinha de tudo, tudo ao meu redor
    Mas tudo que eu sentia era que algo me faltava
    E à noite eu acordava banhado em suor

    Não queremos lembrar o que esquecemos
    Nós só queremos viver
    Não queremos aprender o que sabemos
    Não queremos nem saber
    Sem motivos, nem objetivos
    Estamos vivos e é só
    Só obedecemos a lei
    Da infinita highway

    Escute, garota, o vento canta uma canção
    Dessas que uma banda nunca canta sem razão
    Me diga, garota: será a estrada uma prisão?
    Eu acho que sim, você finge que não
    Mas nem por isso ficaremos parados
    Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão
    "Tudo bem, garota, não adianta mesmo ser livre"
    Se tanta gente vive sem ter como viver

    Estamos sós e nenhum de nós
    Sabe onde quer chegar
    Estamos vivos, sem motivos
    Que motivos temos pra estar?
    Atrás de palavras escondidas
    Nas entrelinhas do horizonte dessa highway
    Silenciosa highway

    Eu vejo um horizonte trêmulo
    Eu tenho os olhos úmidos
    Eu posso estar completamente enganado
    Eu posso estar correndo pro lado errado
    Mas "a dúvida é o preço da pureza"
    É inútil ter certeza
    Eu vejo as placas dizendo
    "não corra, não morra, não fume"
    Eu vejo as placas cortando o horizonte
    Elas parecem facas de dois gumes

    Minha vida é tão confusa quanto a América Central
    Por isso não me acuse de ser irracional
    Escute, garota, façamos um trato:
    Você desliga o telefone se eu ficar muito abstrato
    Eu posso ser um Beatle, um beatnik
    Ou um bitolado
    Mas eu não sou ator
    Eu não tô à toa do teu lado
    Por isso, garota, façamos um pacto
    De não usar a highway pra causar impacto

    Cento e dez, cento e vinte
    Cento e sessenta
    Só prá ver até quando o motor agüenta
    Na boca, em vez de um beijo,
    Um chiclet de menta
    E a sombra do sorriso que eu deixei
    Numa das curvas da highway

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  2. Bom blog.
    Os textos são um tanto quanto pessoais, é como ver de dentro para fora saca?

    Pelo menos é sincero. Mesmo que às vezes seja mentira, é sincero e limpo.

    Diferente do meu que é sujo, lascivo e semi-pornográfico.

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