quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Entre culpas e culpados

Não que eu complete todas as lacunas e nem marque todas as respostas no gabarito. Não que eu entenda tudo que eu leio, tudo que me perguntam, tudo que as pessoas pensam que eu já sei. Não que eu decore as falas e seja a melhor em interpretação de texto.

Mas existem coisas que não precisam ser ditas pra serem entendidas. Ou então eu interpreto tão bem que passo da medida. Para todas as outras coisas há pessoas dispostas a explicar sem ironias. Onde eu não me encaixo. Há pouca tolerância pra coisas sem sentido e nenhuma paciência pra coisas não compreendidas.
O professor de direito confunde a cabeça de quem pensa que tudo é relativo. Viva Freud e suas milhões de explicações para o mundo. Podia ser mais simples: a culpa é da tua mãe!

Vai lá e grita na cara dela. Faz os pelinhos do rosto tremerem, faz os olhos secarem com o teu grito. Faz o coração quase parar de bater de susto. E bota pra fora tudo que ela fez pra você. Questiona o quanto ela te deu de leite materno.

Culpe-a por ter se sentido gorda durante a gravidez e ter desejado um copo de tequila. Culpe-a por ter cogitado a possibilidade de não te deixar nascer, por ter pensado que não era a hora, que um irmãozinho seu, um pouquinho mais novo que você, viria em melhor hora.

Culpe-a por não ter tido tanto dinheiro pra comprar um berço de ouro, uma chupeta importada, uma fralda descartável.

E aí, no final de tudo, você respira fundo e sente a paz dentro do peito. Liberto de todo o peso que você carregou durante todos esses anos e não sabia o por quê.

Veja sua mãe chorando copiosamente e culpando a sua avó por não ter tido mais tempo pra ensiná-la coisas básicas de ser mãe. E por aí vai.

Você é tarado por culpa da sua mãe. Você é perdido por culpa da sua mãe. Você mente, você fuma, você bebe, você se masturba compulsivamente, rói as unhas, é gordo, sente medo de morrer, de se envolver, se apaixonar.

Tudo isso só porque a tua mãe não te segurou direito quando você chorava e pedia atenção.
Podia ser assim bem simples e aí era só completar a reação em cadeia, o ciclo e todo mundo ia ficar feliz.

Jogando a culpa em cima do outro, à lá Homer Simpson.

Acontece que isso tudo é culpa sua, só sua.

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