Remova-me. Repetido e contínuo. Uníssono. Um badalar de sinos. Vários sinos juntos batendo em ritmos desiguais, repetindo a mesma coisa. O mesmo pedido. E tudo isso graças a qualquer coisa que não se sabe ao certo o que é. Enquanto tudo parece pouco. Enquanto pouco parece muito e ninguém consegue entender qual a proporção exata do erro. Do acerto. A exata proporção exata.
Perda de tempo. Todo mundo ouve o mesmo som, todo mundo assiste e torce. Uns escolhem o time que sempre ganha. Há os que se compadecem pelos mais fracos. Há os que escolhem a camisa mais bonita, mais colorida. Outros a que não tem cor, a maior.
Tomam partido. Mostraram-se imparciais. Uns assistem de camarote, de cima do muro. E tudo isso graças a imensa dor de cabeça que aparece alguns dias de manhã.
Remova-se. Era o que queria mesmo? Sem discordâncias, sem falsos moralismos, sem enganações. Uma puta frágil e sensível. Uma pura falta de coerência. Não mudou, não saiu, não moveu um grão.
Enquanto isso as idéias continuam indo, sem que ninguém acuse ninguém. Sem que ninguém deseje nada a mais ninguém.
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