Eu adoto o mesmo estilo, de precisar ver todas as roupas pra decidir qual usar. Aí fica tudo assim jogado e espalhado, menos no chão.
De repente você deita no meio e desafia a minha paciência. É tudo pra ontem e eu deixo tudo pra amanhã. De repente você encosta sua cabeça no meu pé e diz que tem preguiça do mundo. Finge que é sono e puxa minhas duas mãos.
Eu caio de cabeça no meio de múltiplas deficiências e suas teorias imensas, sentindo, ao mesmo tempo, medo de amassar e perder, tesão pra rasgar tudo antes de terminar de ler.
Eu morro de preguiça com você enquanto você ri do quanto eu fico desajeitada tentando te explicar tudo aquilo que eu sei, mas não consigo. A gente finge que é sono, ronca no ouvido um do outro, segurando as duas mãos. Procurando uma terceira, quarta, quinta mão, porque só as duas não são mais suficientes.
E a gente morre de rir, porque não é hora e não era pra isso.
Eu levanto meio caindo enquanto você esfrega os olhos com força até quase arrancar. Eu sinto dor também e chuto a quina da cama baixa que você vive me dizendo pra trocar.
Eu tenho vontade de chutar a cama de novo, a dor se aproxima do contentamento, do desconto de raivas, da maior expressão de angústia.
O cheiro de cigarro vem do quarto ao lado, mas eu não fumo mais. Eu só desejo, sem agir. O desejo gera a dor e a dor o contentamento. É tudo bem ligado. Eu te explico isso enquanto você finge prestar a máxima atenção.
De repente. De repente. Você me conta que não tem dó de matar besouros, esses malditos que voam na nossa cara sem nenhum medo de morrer. Os idiotas que têm medo de morrer mas esbarram na nossa testa e só por isso dão mais raiva que barata.
E diz que eu devia estudar o mundo inteiro. E que sente medo de coisas como essa nossa.
E eu penso, que no fundo, nem tão fundo, tenho também, demais.
E lá vou eu, a cada cinco minutos, olhar os flashes que você espalhou pela minha casa. Ainda que tudo não dê nem meia foto, mal tirada.
E lá vou eu, a cada cinco minutos, olhar os flashes que você espalhou pela minha casa. Ainda que tudo não dê nem meia foto, mal tirada.
Se até o Natal você ainda estiver aqui, eu prometo gostar de você também.
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