sábado, 22 de maio de 2010

De Alice para Ana

Ser feliz é uma questão de sorte. Não é escolha, não é sorrir pra vida pra vida te sorrir em troca. Não é fazer o bem sem importar a quem. Não é deixar de lado o egoísmo, a raiva, a inveja achando que a gratidão, o amor, o carinho e a compaixão vão bater a porta e pedir um quarto pra passar a noite. Não é querer. É ser. Entende? Não é virar a cara pras coisas que incomodam e fingir que tá tudo bem. Não é pensar o quanto ela é bonita e merece ser feliz. Não é pensar que ele tem seus motivos pra ter feito o que fez. Não é enganar a si mesmo, gritando pro mundo que não liga se as coisas não sairem exatamente como você planejou. Não é jogar na mão de Deus e esperar que ele tenha um plano melhor. Ser feliz é só... ser. E ser ultrapassa muito além todas essas bobagens. A vida toda se tornou um livrão estúpido de auto-ajuda da pior qualidade. Todo mundo sorri pra dar bom dia só pra fazer o outro feliz, enquanto os caquinhos de vidro perfuram sua honestidade. Enquanto você queria, na verdade, jogar o café quente em qualquer um que cruzar o seu caminho. Em qualquer um que buzinar duas vezes e fazer cara de fazer cara de quem domina o trânsito que, certamente, você atrapalha. Em qualquer um que te der um tapinha nas costas e fizer qualquer piada sobre qualquer coisa, sobre qualquer pessoa. Ser feliz é quando a sorte te presenteia com uma vaga bem em frente quando tá chovendo. Quando o pão tá quentinho saindo do forno na hora que você acordou. Ser feliz é conseguir falar na primeira pessoa sobre você mesmo. É ter coragem de expor seja lá o que for, seja pra quem for. É perceber, finalmente, que é isso que EU venho aprendendo em anos de faculdade. Ser EU e não ser VOCÊ. Assinar meu nome ao inves de tentar parecer mais ou menos. É ser. É achar uma nota de 100 reais no bolso. É quando o telefone toca e você sorri olhando pela janela. É quando o estúpido buzina duas vezes e você percebe que não foi pra você. Ser feliz é achar um fórmula descabida pra fugir dos tapinhas no ombro que o mundo insiste em dar. É achar um espaço dentro do armário quando tudo parecer frio demais pra merecer um nariz pra fora da porta. É achar uma mão perdida e quentinha no meio da bagunça de 4 cobertores e 3 travesseiros. Ser feliz é não tentar e, ainda assim, ser. É não forçar a barra achando que não pode desejar o mal pra ninguém. É ser humano e jogar pra fora tudo que tiver vontade, vomitar todas as dores, todas as injúrias, xingamentos, mau criações. É gritar alto, perder a paciência. Se arrepender, pedir desculpas. Ser autêntico. Sentir raiva, desejar o mal, pensar o mal, falar mal. Ser feliz não é xingar o mundo e assinar com o nome de uma pessoa que não existe.

Ser feliz é ser real.

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