terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Prometo, não prometi

Mais um ano começando e dessa vez o cansaço é visivelmente maior. Aliás, visível só pra mim, acredito. Mas pra quem mais é que eu preciso vomitar um monte de palavras desconexas de vez em quando se não pra mim mesma? É como a análise que eu tanto recomendo, agora quase com diploma nas mãos. Eu vomito aqui, eu leio, escuto e, finalmente, não entendo quase nada, mas deixo pra lá, porque meu papel é esse mesmo. Que não me escutem os sábios mestres, mas essa porra de suposto saber é um saco. O clichê desse fim de ano/começo de outro ano é o cansaço dos clichês, e quer alguma coisa mais típica do que essa? Concluí, com um pouco de gripe, um pouco de saudades, um pouco de tédio na praia, que depois dos 18 anos a gente passa a querer tão pouca coisa que nem tem mais aquela graça toda encher o diário, blog, fotolog ou seja lá o que se use pra isso, de promessas, pedidos, expectativas e delírios. Nos 15 eu prometi usar hidratantes corporais todos os dias para evitar estrias, prometi fazer abdominais todos os dias pra ter uma barriga sarada aos 25, que eram tããão distantes. Prometi, com intuito de pedido desesperado, um namorado meio príncipe, meio cachorro, meio sapo, meio paz e amor. Achei vários cachorros inteiros, sapos tentando achar princesas, príncipes tentando fugir das mesmas e paz e amor... ah, paz e amor achei de sobra, mas nas horas e pessoas erradas. Perdeu a graça, sabe? Não que eu queira voltar no tempo e desejar de novo todas as coisas absurdas que eu desejava, mas agora os desejos infantis perderam o encanto. Primeiro porque as estrias já apareceram faz tempo e porque agora eu passei a usar hidratantes todos os dias. Segundo porque eu finalmente entendi que amor não tem nada a ver com sofrimento e nem intensidade, e isso causa toda aquela calmaria que eu achava tão piegas. Concluo isso me pintando como Psicóloga, realizada pessoalmente, calma, tranquila e decidida. E não que isso seja ruim, acho que tornei a melhor versão de mim mesma, mas absolutamente ao contrário do que eu imaginei que seria nos burros 15 anos.

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