A musiquinha mais brega do mundo tocando no rádio, no caminho interminável até o outro lado da cidade. A menininha mais estúpida com o rosto colado no vidro do carro, embaçando a linda vista da rua estampada por carros, guardas-chuva, pessoas correndo, crianças gritando, velhas tropeçando nas calçadas mal projetadas de Curitiba.
Tudo parte de um clichê cansativo e mal elaborado. A menininha tonta, sem flor e sem poema, esperando que o mundo pare e qualquer menininho tonto, sem cavalo branco e sem dinheiro, venha correndo pra, talvez, fazer a chuva parar, um arco-íris aparecer. Tudo parte de uma melação enjoada e sem graça.
Não era mesmo pra ter graça, era pra aquecer o coração que já tá quase congelando. O frio penetra pelos buraquinhos da blusa de lã e atinge lugares que eu nem sabia que existiam. Sinto pulmão e coração geladinhos, tentando sobreviver.
Eu permaneço quieta a maior parte do tempo. O meu silêncio tem quase o gosto de uma sopa de letrinhas.
Ele grita de longe, ela finge que não ouve de primeira só pra não olhar de primeira. Mas o coração bate de primeira, segunda, terceira e não para mais. Ele corre um pouquinho só pra tirar os cabelos perfeitamente penteados do lugar. Só pra corar as bochechinhas e dar ainda mais destaque pros olhos perfeitamente azuis. Ele chega sorrindo, quase gargalhando. Ela engole o riso e veste uma pose de pura sedução e mistério. Ele não fala nada e derruba toda aquela armadura que ela veste desde o primeiro contato com o sexo oposto. Ela não sabe onde colocar as mãos. Ele continua rindo. Na certa nem notou tamanha falta de jeito.
Ele é o menininho tonto sem cavalo e sem dinheiro. Mas com todos os gominhos no lugar, todas as células sincronizadas, dançando em ritmo perfeito de calmaria.
Ela é a menininha tonta sem flor e sem poema. Mas com o coração acelerado, o peito cheio de nuvens e os olhos de borboleta. Ela pisca tão rápido que ele quase consegue sentir a brisa. Ela fala tão rápido que ele, mesmo sem entender, grava o som daquela voz.
Não era Eduardo e Monica, nem Romeu e Julieta, era só mais uma menininha tonta se rendendo a mais um menininho tonto por aí.
E a vida continua...
É ta na moda meninos e meninas assim !!!!!
ResponderExcluirSó que eu tenho cavalo e armadura
hehehehehe