Os peitos chegam antes e ninguém sabe o que vem depois. É fácil esconder o medo e a insegurança na pose cheia de pretensões. O cheiro de álcool faz com que ela se sinta em casa, sente com as pernas pra cima, acenda um cigarro e deixe seu gosto em todos os lugares.
Alice está rodeada de homens bonitos, que cheiram bem, que falam bem. Seu telefone toca e ela sai correndo, ficam todos para trás. Ela não olha e quase não se arrepende. Ela joga de novo todas as fichas em cima da mesa, aposta todos os trocados que tem no bolso, cruza os dedos com força, implorando de olhos fechados pra que, dessa vez, dê certo. Ela dá pulinhos, ri alto, gargalha no meio de tanta gente. Toma a cerveja num gole só e molha toda a sua roupa. Entre gritinhos frenéticos e torcidas, ela se enrola no cobertor, tira os sapatos. É tanta coisa pra contar, tanta formiga pra tirar do peito.
- Tantas coisas aconteceram, meu amor. Eu não posso sentir culpa, eu não quero sentir culpa.
Alice arranca seus cabelos de frente para o espelho, não consegue manter a cabeça no lugar, não consegue respirar. Ela está nua e sente o corpo todo tremer. Aquelas mãos não esquentam mais, não adianta cehgar assim tão perto. Agora é tudo gelado, tudo palido, tudo escuro.
- Acende a luz, eu preciso de um cigarro. Eu preciso sair daqui, eu preciso pular pela janela. Eu preciso de você.
O abraço é sincero, as respostas não. O cheiro de mentira sai do ralo, ela se sente tonta e vomita no banheiro. Aquela bola de pêlo não sai da garganta. Ela tosse até perder o fôlego, até que uma das mãos segure seus cabelos e a beije na testa com ternura. As mãos agora são quentes, aquecem seu peito, acalmam sua respiração. Ela chora no chão do banheiro, se perde na bagunça e no cheiro de alvejante que ela mesma escolheu.
Alice se joga nos braços pra depois se jogar nas calçadas. O elevador demora tempo demais pra chegar, o caminho é longo até em casa. Dois cigarros a mais e passos trocados na calçada vazia.
Ninguém para pra ajudar. Ela chora copiosamente e pede ajuda sem nem saber pra quem. É uma noite quente, os sapatos ficam com as bitucas pela calçada.
Alice fogiu.
O dia teria amanhecido calmo e tranquilo. Não havia expectativas depois de uma noite combinando remédios e tanto álcool. A cabeça de Alice não parava de girar e o telefone de tocar. Ela não queria ver ninguém.
As horas passavam lentamente. Até que Alice iniciava a maratona de não se manter sóbria, de não tocar no celular. Alice quase deixara que outro homem a visse nua. A culpa que não deveria sentir, invade seu corpo, suas pernas não se abrem, seu peito se esconde, suas costas se arrepiam de frio, seu rosto cora, seus braços se fecham, seus olhos se abrem no mesmo instante. Ela segura seus cabelos e diz com frieza:
- Talvez eu tenha que te matar, garoto. Você já sabe demais!
=) Isso Mesmo, Como vc mesmo disse, Seja Feliz !!!! =)
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